(Foto: Divulgação)

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Domingo (16) a atenção dos brasileiros estará voltada para as manifestações de rua organizadas pelas redes sociais, previstas para acontecer nas principais cidades do país, como forma de pressionar a presidente Dilma Rousseff a deixar o governo. Dependendo do tamanho desse protesto e da intensidade da sua repercussão, a crise política, econômica e ética em que está mergulhado o Brasil poderá tomar novos rumos.

Para a maioria dos envolvidos nas atividades políticas, a presidente Dilma perde a cada dia as condições de governabilidade necessárias para tirar o país do atoleiro em que se encontra.

Duas soluções são apontadas para destravar essa situação. Uma seria a decretação do impeachment da presidente e entregar o governo ao vice-presidente Michel Temer. Ele formaria um governo suprapartidário, com a participação de nomes expressivos dos mais variados segmentos do país. Seria um governo de união nacional para recolocar o Brasil nos trilhos do crescimento.

A segunda solução ventilada entre os políticos seria a convocação de novas eleições presidenciais. Essa solução poderia ser levada avante se a chapa Dilma-Temer, que disputou as eleições em 2014, fosse cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Recurso do PSDB nesse sentido está para ser julgado pelo TSE. Os tucanos alegam que a dupla só conseguiu ser reeleita com o uso de recursos desviados das roubalheiras na Petrobras.

A outra ameaça ao mandato de Dilma é o próximo julgamento do Tribunal de Contas da União das chamadas “pedaladas fiscais”, realizadas pelo governo ao longo de 2014. Neste caso, só Dilma seria punida com a perda do mandato. Michel Temer, como vice-presidente, concluiria o mandato em 31 de dezembro de 2018.

CAINDO COMO CASTELO DE AREIA

O governo Dilma está se desmoronando, tal qual um castelo feito de areia. A presidente está isolada no Palácio do Planalto. Acuada, sem condições de se dirigir à população por meio de rede de televisão e rádio. Se o fizer, será alvo de panelaço e buzinaço. Em qualquer solenidade aberta ao público ela será vaiada. Sua base no Congresso Nacional está esfacelada e está sem força até mesmo dentro do PT.

O distanciamento de Dilma da sociedade brasileira acaba de ser comprovado pelas pesquisas Datafolha. Sua reprovação popular chega ao patamar histórico de 71%. Ela se tornou a governante mais impopular entre todos os presidentes da República. Perde até para Fernando Collor, que teve uma rejeição popular de 68%.

Nas pesquisas Data Folha, 66% dos entrevistados querem o afastamento de Dilma do governo.

Em meio às notícias negativas, na quarta-feira, a presidente Dilma amargou um novo revés: a agência de classificação de risco Moody´s anunciou o rebaixamento da nota de crédito do Brasil. Com isso, o país fica apenas um degrau acima do nível especulativo. Se cair para categoria especulativa, o Brasil perderá o grau de investimento, que é atribuído a países que não oferecem segurança às aplicações de bancos e fundos estrangeiros. Com isso, o governo e empresas nacionais passarão a pagar juros mais altos para tomar créditos.

DILMA INDIFERENTE

A presidente Dilma Rousseff, por seu lado, decidiu ignorar as notícias que especulam sobre possibilidades do seu afastamento do comando do governo. Deixou de lado, inclusive, a leitura dos jornais, para não se aborrecer. “Fui eleita para presidir o Brasil por mais quatro anos. É isso que farei”- avisou.

No domingo à noite, quando reunida com 13 ministros, deixou bem claro que ignora pressões, rejeitou reformar já o ministério e disse que vai procurar o diálogo, para reconstruir a governabilidade.

Na segunda-feira, deslocou-se para São Luis, no Maranhão, para entregar moradias do programa “Minha Casa, Minha Vida”. Foi uma solenidade só com a presença dos contemplados das casas e poucas autoridades previamente escolhidas.

Durante a semana manteve reuniões com senadores, deputados e líderes partidários, com o objetivo de reconstruir sua base no Congresso Nacional, hoje totalmente destroçada. Ela procura evitar a sequência de derrotas, principalmente, na Câmara. Desfazer as “pautas bombas que estão armadas na Câmara”.

Dilma informou que depois de conhecida a lista dos políticos que serão processados pelo Supremo Tribunal Federal, por envolvimento nas roubalheiras na Petrobras, vai pensar em mexer no Ministério. Disse que até poderá aceitar reduzir o número de ministros. Hoje são 39.

Para ter êxito nessa estratégia, a presidente precisa reduzir a força política do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, seu ferrenho adversário. É justamente ele que está comandado todas as ações para enfraquecer a presidente.

Para contornar essa dificuldade, a presidente Dilma voltou a se aproximar do senador Renan Calheiros, presidente do Senado Federal. Ambos acertaram o encaminhamento de várias medidas para tentar contornar a crise que está levando a presidente a um beco sem saída. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, reagiu a esse acerto entre Dilma e Renan, afirmando que o Brasil “vive em um sistema bicameral”, acentuando que “As duas Casas têm de funcionar e aprovar as suas propostas. Não dá para achar que só a Câmara funciona, ou só o Senado funciona”.

DESTAQUES

PARLAMENTARISMO- Ressurge na Câmara dos Deputados o movimento para a implantação do regime parlamentarista no Brasil. Na liderança da iniciativa os deputados tucanos Bonifácio de Andrade (MG) e Luis Carlos HAULY (PR).

REFORMA POLÍTICA- Os senadores vão juntar as propostas de reforma política aprovadas pelos deputados às apresentadas pelos senadores. A ideia é mesclá-las num só texto, a ser votado até 31 de setembro, para valer já nas eleições municipais de outubro de 2016.

RODRIGO JANOT- Apoiado pela grande maioria dos procuradores federais de todo o país, Rodrigo Janot foi indicado ao Senado, pela presidente da República, para ocupar, por mais dois anos, o cargo de Procurador-Geral da República. O cenário que se mostrava desfavorável à sua recondução entre os senadores já está dissipado. Fernando Collor será o único senador a batalhar para a rejeição da indicação de Rodrigo Janot. Falara sozinho. Collor certamente será um dos políticos que será relacionado como um dos beneficiários dos desvios na Petrobras, e responderá processo no Supremo Tribunal Federal.

SANTAS CASAS- O Senado realizará uma sessão especialmente para debater políticas que garantam o equilíbrio econômico e financeiro das Santas Casas de todo o país. Essas entidades filantrópicas, em sua maioria, estão em estado falimentar. Não recebem do governo o pagamento devido pelos atendimentos a pacientes do SUS.