O clima no Congresso Nacional é de turbulência total, segundo Coletti (Foto: Divulgação)

O clima no Congresso Nacional é de turbulência total, segundo Coletti (Foto: Divulgação)

Deputados e senadores retornam à Brasília na próxima segunda-feira (3), depois de um período de férias de quinze dias. Iniciarão os trabalhos legislativos do segundo semestre, com sinais de que serão bem agitados e radicalizados.

O clima no Congresso Nacional é de turbulência total, por conta da crise que paralisa o país e o iminente inicio dos processos de punições, no Supremo Tribunal Federal, de políticos importantes e beneficiários das roubalheiras na Petrobras. A expectativa é que no início de agosto, o procurador geral da República, Rodrigo Janot, encaminhe ao Supremo os primeiros pedidos de abertura de processos contra parlamentares investigados pela Operação Lava-Jato. Entre eles estariam o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, e o senador e ex-presidente da República cassado Fernando Collor.

Na Câmara, seu presidente Eduardo Cunha promete guerra total à presidente Dilma Rousseff, a qual acusa de ser responsável por enrredá-lo no mega escândalo da Petrobras. Ele anunciou que vai colocar mais lenha na fogueira. Seu grupo vai pressionar os caciques do PMDB para afastar a legenda do governo e que rompa imediatamente as relações com o PT e o ex-presidente Lula. Tal ocorrendo, a presidente Dilma perderia as condições de governabilidade.

Mas, Cunha não terá vida fácil. Um expressivo número de deputados moverá ações para afastá-lo da Presidência da Câmara, enquanto durar o processo em que ele é acusado de ter recebido 6 milhões de dólares de propina na contratação de navios sondas pela Petrobras.

SÓ MALDADES

Na primeira semana de agosto, a pauta prevê a conclusão das votações, em segundo turno, das propostas incluídas na PEC da Reforma Política, que será enviada para análise do Senado. Está também prevista a votação, em segundo turno, da PEC que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. Uma medida combatida pelo Palácio do Planalto.

A “pauta de maldades” do presidente da Câmara prevê a votação imediata do projeto que dobra a correção do FGTS. Ele aprovado bate de frente com a política fiscal proposta pelo ministro Joaquim Levy, por representar mais despesas. Outro projeto pautado contra os interesses do governo é o que impede o Executivo de transferir encargos aos municípios sem a indicação dos respectivos recursos.

Na “pauta bomba” está incluído o projeto, de autoria do próprio presidente Cunha, que reduz de 39 para 20 o número de ministérios.

Ainda nesta “fase de maldades”, Eduardo Cunha programou a instalação de duas CPIs. Nitroglicerina pura para o governo Dilma. Uma delas para apurar os desvios no BNDES e a outra para desvendar os subterrâneos dos fundos de pensão, dominados pelos petistas.

Na avaliação de especialistas, a CPI do BNDES tem potencial para paralisar a instituição e causar sérios prejuízos à economia até maiores do que os provocados pelo mega escândalo da Petrobras. A equipe econômica estuda abrir uma linha de capital de giro, financiada pelo BNDES, para socorrer empresas em dificuldades  financeiras após a Operação Lava Jato. O objetivo é evitar quebradeiras e demissões em massa. Na avaliação do Palácio do Planalto, porém,nada disso seria levado adiante se a CPI vingar.

Outras “maldades” de Cunha. Despachou 12 pedidos de impeachment da presidente Dilma para tê-los prontos para serem analisados pela Câmara.

Ele pautou para agosto a votação de todas as  prestações de contas do governo para limpar o caminho para as contas de 2014, em análise no Tribunal de Contas da União. A expectativa é que tais contas sejam rejeitadas, cabendo então ao Congresso Nacional as explicações devidas.

PESADELO DE RODRIGO JANOT

O mandato de Rodrigo Janot como procurador-geral da República encerra no próximo 17 de setembro. Justamente no momento em que estará sendo encaminhado ao Supremo Tribunal Federal pedidos de abertura de processos contra políticos importantes, entre eles senadores, beneficiários de recursos desviados da Petrobras.

Na próxima quarta-feira (5), procuradores de todo o pais, escolherão os três nomes que vão compor a lista tríplice que será encaminhada à presidente Dilma Rousseff.

Rodrigo Janot é apontado como o favorito para ser o primeiro da lista. Isto ocorrendo, por tradição, a presidente deverá indica ló ao Senado para continuar à frente da PGR por mais dois anos. Será sabatinado pelos senadores na Comissão de Constituição e Justiça, e seu nome votado no plenário pelos 81 senadores. A votação será secreta. Os senadores Renan Calheiros e Fernando Collor já anunciaram que não pretendem vê-lo reconduzido a tão importante cargo. A oposição anunciou que votará favorável a Jánot. Sua recondução, vai depender do voto de senadores independentes e daqueles que não seguem a cartilha de Renan e Collor.

TEMER SONHA COM O ALVORADA.

O Vice-Presidente Michel Temer está determinado deixar o Palácio do Jaburu para morar no Palácio da Alvorada.

Para tanto, procura aproveitar ao máximo a missão que lhe foi confiada pela presidente Dilma Rousseff de pacificar a área política e melhorar as relações entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. Adotou a estratégia de um equilibrista de circo, que tudo faz para não cair dos fios de aço utilizados para suas apresentações. Michel temer procura estar de bem com os políticos e partidos, mesmo os da oposição. Não entra em bola dividida com ninguém. Sempre surge como bombeiro para apagar incêndio. Assim fez na grave crise que acabou levando o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, seu colega de partido, a romper com a presidente Dilma e com “os aloprados do Palácio do Planalto”. Segundo Temer “foi uma crisesinha, já contornada”.

Ele age sempre mirando no que possa lhe trazer benefícios políticos. Sabe que a situação da presidente Dilma se agrava a cada dia.

De um momento para outro, a presidente corre o risco de ser defenestrada do comando do governo. Certamente, cairia no seu colo a tarefa de conduzir a chapa eleita em 2014 e comandar o Brasil até o fim de dezembro de 2018.

Isso não ocorrendo, O Vice Michel Temer, teria o plano B: ser o candidato do PMDB à Presidência da República em 2018. Essa estratégia seria colocada um funcionamento em outubro próximo, quando o PMDB promoverá sua convenção nacional. Nesse momento, a legenda deverá estar desligada do governo e em oposição ao PT do ex-presidente LULA.