(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

Um fogaréu tomou conta de Brasília no decorrer desta semana. Com o envolvimento das cúpulas dos três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário. As consequências dos vários fatos ocorridos vão mexer de forma avassaladora com o futuro bem próximo de nosso país. Certamente acontecerão mudanças radicais e profundas nas áreas da política, da economia, da ética e moral.

Na quinta-feira, a maioria dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal promoveu uma reviravolta no rito da tramitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, contrariando o que foi indicado, na quarta-feira, pelo ministro-relator Luís Edson Fachani. Foi anulada a eleição secreta da Comissão Especial do Impeachment na Câmara, e imposta a votação aberta. Foi proibida a apresentação de chapa avulsa para a escolha do colegiado. Foi aprovado que os membros da Comissão sejam indicados pelos líderes das bancadas. A maioria do Supremo estabeleceu também que o Senado tem poder para barrar a ação do afastamento da presidente Dilma da chefia do governo. Todas essas decisões eram defendidas pelo Palácio do Planalto e combatidas pela oposição. Portanto, a presidente Dilma conseguiu uma grande vitória na guerra contra seu impeachment. O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha disse que vai recorrer da decisão do STF. Ele convocou uma reunião dos líderes para segunda-feira, para discutir os efeitos desse julgamento.

Quanto ao afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara, pedido pelo procurador-geral Rodrigo Janot, o Supremo só decidirá depois do Carnaval, com o fim das férias do Poder Judiciário.

Os deputados e senadores só retornarão ao trabalho no dia 1° de fevereiro de 2016. A oposição está apostando que neste longo período de férias, os parlamentares sejam pressionados em suas bases para votarem pelo afastamento de Dilma da Presidência, levando em conta que as pesquisas revelam que 72% dos brasileiros são contra o seu governo.

PMDB RACHADO– Por conta de todas as lambanças que têm ocorrido em relação ao impeachment da presidente Dilma, a cúpula do PMDB rachou de vez. De um lado está o presidente do partido, o vice-presidente Michel Temer; do outro lado, está o presidente do Senado, Renan Calheiros. O ponto alto da crise é o rompimento do PMDB com o governo Dilma e com o PT.

SAÍDA DE LEVY- Já se tem como certa a saída do economista Joaquim Levy do comando do Ministério da Fazenda. Ele não conseguiu emplacar suas ideias para acertar as contas do governo, que iam contra as teses defendidas pelo PT e pelo ex-presidente Lula.

BRASIL CALOTEIRO- Agência de classificação de risco FITCH tirou o selo de bom pagador e deixa o Brasil em situação delicadíssima. Alega descompromisso do governo Dilma com ajuste fiscal, agravamento da recessão, crise política grave e corrupção. Há três meses, a agencia Standard e Poo’s havia tomado a mesma providencia. De imediato a economia nacional deve perder pelo menos 18 bilhões de dólares. O grau de um investimento é uma espécie de garantia para estrangeiros de que é seguro se aplicar dinheiro aqui no Brasil. Agora, seremos tratados como caloteiros.

CADEIA PARA AZEREDO– Lá de Belo Horizonte veio uma péssima notícia para os tucanos. O ex-governador Eduardo Azeredo, um dos caciques do PSDB, foi condenado a 20 anos de cadeia. A acusação é que ele teria desviado dinheiro público para sua campanha eleitoral quando candidato ao governo de Minas Gerais.

FIO DE ESPERANÇA

Ainda resta aos brasileiros um fio de esperança lá em Curitiba. O juiz Sergio Moro, o Ministério Público e a Policia Federal dão seguimento às suas ações, numa tentativa de começar a passar o Brasil a limpo. Na semana passada descobriram um novo veio de roubalheira nas obras de transposição das águas do Rio São Francisco para matar a sede dos nordestinos. Só num trecho das obras foram descobertos desvios de R$ 200 milhões. Foram presos pela Polícia Federal diretores da Galvão Engenharia, OAS, COESA e Barbosa Melo.

Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia disse em delação premiada que empreiteiros pagaram R$ 2,4 milhões “em doação não oficial” para a reeleição do ex-presidente Lula.

O Ministério Público Federal denunciou o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, o ex-tesoureiro do PT João Vacari Neto e mais nove pessoas por corrupção. Segundo a operação Lava Jato, Bumlai participou do desvio de R$ 18 milhões da Petrobras, envolvendo o Banco Schaim para favorecer o PT.

Numa outra ação, o ex-presidente Lula foi intimado pelo Ministério Público e Polícia Federal para explicar maracutaias do seu filho caçula Luís Claudio. Elas se relacionam à venda de medidas provisórias editadas nos governos de Lula e Dilma.

Relatório da Justiça Federal aponta que as condenações da Operação Lava Jato já somam 680 anos, 8 meses e 25 dias. Até a semana passada, o juiz Sergio Moro, que conduz os processos das roubalheiras na Petrobras, havia condenado 57 investigados, em primeira instância. Entre eles, estão alguns dos maiores construtores do país.

Agora, a sociedade brasileira torce para que o Supremo Tribunal Federal também acelere o julgamento dos parlamentares envolvidos nos roubos da maior estatal do país. A Constituição lhes assegura o direito de foro privilegiado, ou seja, serem julgados pelo Supremo. Os processos correm em regime de segredo de justiça. Os parlamentares somam por volta de 50. Mas, já se sabe que, entre eles, estão os senadores Renan Calheiros, Edson Lobão, Fernando Collor e Jader Barbalho, além do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha. O relator de todos os processos é o ministro Teori Zavascki. As acusações foram apresentadas pelo Procurador-Geral da República, Ricardo Janot, com base nas investigações realizadas pelos procuradores e Polícia Federal, lá de Curitiba. A expectativa é que esses processos sejam julgados depois do carnaval, com a participação dos onze ministros do STF.

DEVASSA NO PMDB

Na terça-feira (15), o ministro-relator Teori Lavascki acionou a Polícia Federal para promover uma devassa nas residências e escritórios de cacique do PMDB, que estão envolvidos em bilionários esquemas de roubo de dinheiro na Petrobras. Foram cumpridos 53 mandados de busca e apreensão contra 17 suspeitos em seis estados, além de Brasília. Foram atingidos o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, os ministros do governo Dilma, Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), os senadores Edson Lobão e Fernando Bezerra Coelho, o deputado cearense Anibal Gomes, e o ex-diretor da Petrobras, Sergio Machado. O senador Renan Calheiros, presidente do Senado e do Congresso Nacional teve pedido de busca e apreensão pela Procuradoria Geral da República, mas, momentos antes das ações da Polícia Federal, negado pelo Supremo.

Todos eles são considerados da cúpula do PMDB. Foram, assim, colocados no centro das investigações, sobre as roubalheiras bilionárias ocorridas na Petrobras. Se juntaram a caciques do PT, sendo que, alguns deles estão presos em Curitiba, por determinação do Juiz Sergio Moro.

O deputado Eduardo Cunha, também na terça-feira, amargou com decisão do Conselho de Ética. Por 11 votos a 9, foi aberto o processo para cassação do seu mandato parlamentar. Cunha saiu ferido de morte das duas ações – Polícia Federal e Conselho de Ética, mas disse que não renunciará à presidência da Câmara. “Se assim fizer, comem meu fígado no dia seguinte”.