Temer ou Dilma, no fim de agosto

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Michel Temer se encontra numa situação que o força se transformar num “paisão” nacional. Ele como presidente interino não entra em bolo dividida, evitando marolas contra seu governo. Evita se escorregar em casca de banana. Vive sorrindo, demostrando estar de bem com a vida, é só adota bondades. Como, por exemplo, o aumento de 12,5% do valor da Bolsa Família, três pontos percentuais acima do que havia sido proposto pela presidente afastada Dilma. Evita decisões polêmicas. É sua estratégia para ter o apoio da maioria do Congresso Nacional. Especificamente no Senado para garantir pelo menos 54 votos dos 81 senadores necessários para a decretação do fim do mandato da presidente. Resultado que confirma sua permanência no governo até o dia 31 de dezembro de 2018.

Por outro lado, Dilma Rousseff, acuada no Palácio da Alvorada, se movimenta para tentar reassumir o governo. O julgamento final do processo do seu impeachment deverá ocorrer entre os dias 25 e 27 de agosto, depois de encerrada o Olimpíada do Rio de Janeiro, no dia 21 do mesmo mês. Ela agora está empenhada em ganhar apoio de mais 8 senadores, já que conta com 20 votos certos. Está prometendo convocar nova eleição para a escolha imediata do seu substituto.

Mas ela é duramente criticada pelos petistas pelo fato dos dois meses que está afastada do governo continua arrogante. Em nenhum momento foi capaz de fazer uma autocritica sobre os erros que cometeu, tanto na política como na economia. Sequer lembrou de apresentar uma plataforma mínima de sugestões para tirar o pais da crise, na hipótese de retornar ao  governo. Só se queixou de estar sendo vítima de um golpe, nada mais.

Seus aliados adiantam que, caso seu impeachment seja aprovado, ela recorrerá ao Supremo Tribunal Federal. Ela está convicta de que não cometeu nenhum erro para perder o governo. Por seu lado, Michel Temer também está certo de que governará o Brasil até o fim de 2018. Essa decisão caberá aos 81 senadores.

SEM ACORDO REFORMA PREVIDENCIÁRIA

Está pra lá de difícil se fechar um acordo em torno da reforma da Previdência Social. O Palácio do Planalto tem praticado um enorme exercício de paciência para convencer as forças sindicais de que se essa mudança não ocorrer já, vai faltar dinheiro para pagar os aposentados e pensionistas. O ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, pressiona para que essa solução saia já. Ele quer entrar em 2017 com o déficit previdenciário equacionado. Hoje, esse é o maior problema do Brasil, ao lado do ajuste fiscal.

São muitos os empecilhos para se chegar ao modelo que possa sustentar a Previdência. As lideranças sindicais se opõem a qualquer mudança que subtraia direitos adquiridos. Não aceitam o teto de 65 anos para as aposentadorias, tanto no serviço público como na iniciativa privada, para homens e mulheres. Vetam também a proposta de se acabar com a desvinculação do aumento do imposto de renda. Os empresários da área rural, por seu lado, não querem a aplicação da legislação previdenciária nas atividades agrícolas.

Há já quem defende a seguinte solução: redija-se um texto de reforma previdenciária, que se aproxime dos pontos de vistas defendidos e o coloque em votação na Câmara e no Senado. Ganhará o lado que tiver mais votos. Só assim para resolver um problema que é debatido no Brasil há décadas de anos.

CORRUPÇÃO SÓ CRESCE

Não para de crescer o mar de lama em que se transformou o Brasil pelos roubos bilionários de recursos públicos sempre enredando conhecidos políticos e empresários. Não há semana em que não aparece um escândalo descoberto pela Polícia Federal e Procuradores da República.

Desvio de 370 Milhões-  Operação Saqueador, braço da Lava-jato, ordenou a prisão de Fernando Cavendish. ex-dono da empreiteira Delta. A operação prendeu o conhecido bicheiro Carlinhos Cachoeira e o empresário Adir Assad sob a acusação de lavagem de R$ 370 milhões desviados de obras públicas da Delta. A empresa participou da reforma do Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro.

Segunda delação premiada, resultou em propina para ex-governador do Estado do Rio, Sergio Cabral. O dinheiro foi sacado na boca do caixa e distribuído a política fluminenses e do Centro-Oeste.

CARTEL EM FERROVIA– A policia Federal identificou um cartel em obras das ferrovias Norte-Sul e Leste-Oeste.

As investigações são desdobramento das apurações da Lava-Jato. Foram cumpridos 44 mandatos de busca e apreensão e 14 de condução coercitiva de investigados em Goiás e em mais oito estados.

Foram identificados 14 empreiteiros que participaram de um cartel para fraudar licitações nas duas ferrovias. Os desvios para abastecer campanhas eleitorais ultrapassam a R$ 1 bilhão.

3° TESOUREIRO DO PT PRESO– Na segunda-feira, a partir de delação premiada, a Policia Federal executou a 31° fase da Operação Lava-Jato: Fez várias prisões e apreendeu farta documentação relativas ao desvio de R$ 39 milhões em contratos de obras no Centro de Pesquisas da Petrobras, no Rio de Janeiro. Desse roubo participou o atual tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, ele é acusado de desviar R$ 1 milhão para contas de seus familiares. Até a Escola de Samba Restinga, de Porto Alegre, e sua porta-bandeira foram contempladas com 100 mil e 67 mil, respectivamente.

CUNHA, INSACIÁVEL– Lúcio Bolonha Funaro, apontado como operador de Eduardo Cunha, presidente afastado da Câmara, foi preso pela Policia Federal. Ordenada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, a nova fase da Lava-Jato foi batizada a Operação Sepsis, alusão à corrupção generalizada que sangra os cofres públicos. Delações de Funaro revelaram que Eduardo Cunha foi um dos artífices de esquema de corrupção com financiamentos milionários da Caixa Econômica Federal, envolvendo o fundo de investimento FI-FGTS. Para ter acesso ao dinheiro, empresas pagavam propina. A parte do deputado no suborno era 80%. No total, a Policia Federal cumpriu 22 mandados de busca e apreensão em seis cidades.