A tese “RUIM COM TEMER, PIOR SEM TEMER” acabou prevalecendo. A Câmara dos Deputados, por 263 votos a 227, e 2 abstenções, rejeitou o pedido da Procuradoria-Geral da República para que o Supremo Tribunal Federal abrisse processo contra o presidente Michel Temer pela prática do crime de corrupção ativa. Ele precisava de apenas 172 votos para se livrar da punição solicitada pelo procurador-geral Rodrigo Janot, mas obteve 91 votos a mais. Dos 513 deputados, 19 estiveram ausentes.

A sessão da Câmara dos Deputados teve inicio às 9 horas, prolongando-se até às 22 horas da quarta-feira. Foi uma sessão tensa, com troca de acusações, dedos em riste, palavras duras contra Temer.

Mesmo apontado como um presidente extremamente impopular- 90% dos pesquisados ficaram contra ele- Temer saiu vencedor no plenário da Câmara. Ele demostrou ter força no Legislativo para garantir a sua governabilidade.

O que lhe resta agora é o desafio de fazer aprovar a reforma da Previdência. Só com essa mudança ele alcançará o acerto das contas públicas, já que o enorme déficit orçamentário é, em muito, provocado pelos gastos previdenciários. Sem este acerto não conseguirá recolocar o país nos trilhos do crescimento. Ainda no rol das medidas necessárias para o Brasil avançar estão as reformas tributária e política.

 

RECUPERAR O PERDIDO

Michel Temer teve que usar muita saliva e toda sua experiência como presidente da Câmara dos Deputados, por três vezes, para convencer muitos deputados a votarem a seu favor. Durante o recesso parlamentar, o presidente procurou falar pessoalmente com cada parlamentar da base aliada. E foi pressionado para antecipar a liberação do pagamento de emendas parlamentares, que tem o caráter impositivo, mas sem tempo definido para serem liquidadas.

Aos integrantes da Bancada Ruralista, a maior da Câmara, o presidente prometeu um pacote de facilidades, envolvendo mais recursos para financiamentos agricolas e redução de impostos e de juros. Os onzes ministros que são deputados voltaram à Câmara para votar a favor de Temer. Essas bondades foram duramente criticadas pela oposição, porque elas vão refletir no ajuste fiscal.

Sua tarefa imediata daqui para frente será tentar trazer de volta para seu lado os deputados da base, como os do PSDB, que votaram contra ele. Essa reconciliação impõe-se pela necessidade de se votarem as reformas da previdência, tributária e política. São instrumentos necessários para o Brasil voltar a ser respeitado em todo mundo. Temer pretende também se reaproximar da sociedade brasileira, recuperando a sua credibilidade, antes do término do seu curto mandato, em 31 de dezembro de 2018.

Um dos motivos que mantiveram Temer à frente do governo foi a falta de um substituto efetivo. Pela circunstância e pelo pouco tempo de governo, não houver interesse de ninguém de ficar no lugar de Temer. Por mais que seja grande a sua rejeição popular, o empresariado e os meios financeiros passaram a confiar na sua equipe econômica, chefiada pelo ministro Henrique Meireles. Mesmo com a crise política essa equipe tem de continuar firme, no sentido de reduzir a inflação e os juros, e dar uma reviravolta no desemprego.

Há sinais da volta dos investimentos nacionais e internacionais.

Logo depois da votação, o presidente comemorou: “É uma vitória do Estado Democrático de direito”. E prometeu empenho para aprovar as reformas da Previdência e Tributaria. “Espero terminar a maior transformação já feita no país.”

ELEITOR REJEITA OS POLÍTICOS

O Instituto Paraná Pesquisa, a pedido da Revista IstoÉ, foi às ruas para saber como o eleitor está recebendo os prováveis candidatos à Presidência da República. O ex-presidente Lula é o mais rejeitado, com 55%, vindo a seguir Geraldo Alckmin, 54,1%, Jair Bolsonaro, 53,9% Ciro Gomes, 50, 24%. A rejeição mais baixa é a do prefeito da cidade de São Paulo, João Doria, com 42,3%.

Outra pesquisa, feita pelo BIG Data, revela que 79% dos entrevistado vão votar, nas eleições de 2018, em candidatos que estão á margem do atual cenário politico nacional. Eles vão ignorar os políticos envolvidos em caso de corrupção, como os investigados na Operação Lava-Jato, e pretendem disputar a reeleição.

É elevada também a rejeição (59%) á ideia de eleger o próximo presidente a partir de candidaturas de um dos três maiores partidos- PMDB, PT e PSDB.

A boa noticia da pesquisa está na ansiedade dos eleitores por mudanças, renovação nos quadros e forma de fazer politica.

A pesquisa inédita ouviu 10.063 eleitores dos 37 dos maiores colégios eleitoral (capitas dos 27 estados e 10 grandes cidades).

A pesquisa confirma também a percepção coletiva de descrédito dos métodos atualmente usados por partidos, parlamentares e governantes para fazer politica. Os eleitores se sentem abandonados pelos políticos e eles, em sua grande maioria, só pensam nos seus interesses e dos amigos chegados.

LULA NOVAMENTE NO BANCO DOS REÚ

Após condenar o ex-presidente Lula a nove anos e seis meses de prisão no caso do tríplex do Guarujá, o juiz federal Sergio Moro aceitou outra denuncia do Ministerio Público Federal contra o líder petista, colocando-o no banco dos reú no caso do Sitio de Atibaia. Ele responderá pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Os procuradores afirmam que as obras de reforma de instalações do sitio, avaliadas em mais de R$ 1 milhão, foram bancadas pelas construtoras OAS e Odebrecht, em troca de facilidades em obras da Petrobras, por determinação do ex-presidente Lula.

O do Sitio de Atibaia passa a ser o quarto processo em que Lula é considerado reú.