(Foto: Reprodução)

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Na noite de terça-feira, o ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a instalação da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que vai analisar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Horas antes, em votação secreta, por 272 votos a 199, os deputados haviam escolhido uma chapa alternativa apresentada pela oposição, com apoio dos deputados do PMDB que fazem oposição ao governo, para comandar o processo de afastamento da presidente. Foi uma derrota acachapante imposta ao Palácio do Planalto, que havia armado uma estratégia para tentar “matar” o processo do impeachment, no seu início. Essa derrota ocorreu em meio a uma sessão tumultuada com cenas de brigas de ruas. Houve troca de sopapos entre o líder do PMDB, deputado Leonardo Picciani (RJ), e o deputado Paulinho da Força, presidente do Solidariedade. Deputados do PT chegaram a quebrar 3 das 12 urnas instaladas para a eleição. Palavrões e ofensas não faltaram, levando o presidente Eduardo Cunha a mandar desligar, por algum tempo, o som do plenário.

O ministro Fachin optou pela paralisação do processo até a próxima quarta-feira, dia 16, quando os 11 ministros do Supremo decidirão qual o rito a ser adotado para a formação da Comissão Especial do Impeachment. Sua decisão liminar foi dada em ação apresentada pelo PCdoB, que questionou a votação secreta realizada pela Câmara, por decisão do seu presidente Eduardo Cunha.

A decisão não anula os atos aprovados pela Câmara na terça-feira, como a eleição da chapa alternativa. Ela só impede a instalação da comissão até que o plenário do Supremo decida sobre a legalidade ou não do voto secreto.

DERROTA DE DILMA

A Comissão Especial do Impeachment será composta por 65 deputados, com a presença de deputados das 28 legendas representadas na Câmara Inicialmente houve um acordo entre os líderes para a formação de chapa única. Acontece que o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), decidiu indicar os 8 deputados peemedebistas contrários ao afastamento de Dilma. Pemedebistas favoráveis ao impeachment se rebelaram. Acertaram com a oposição a organização de uma chapa alternativa, que foi vitoriosa, para desespero do governo. Foi um sinal claro de que a presidente Dilma vai ter muita dificuldade na Câmara para evitar o seu afastamento do governo.

A última terça-feira foi péssima para presidente Dilma. Além da derrota sofrida na Câmara, houve a carta que recebeu do vice-presidente Michel Temer, em que ele praticamente rompe com o governo, juntamente com seu partido, o PMDB. Surgiu também a notícia de que o senador Delcidio do Amaral (PT-MS) fará um acordo de delação premiada com os investigadores da Operação Lava Jato. Delcidio se considera abandonado pelo governo e pelo PT. Ele, que chegou a ser diretor da Petrobras, tem muito a falar sobre as roubalheiras na Petrobras, principalmente em relação à compra pela Petrobrás da usina de Pasadena, nos Estados Unidos. Suas revelações poderão atingir em cheio a presidente Dilma e o ex-presidente Lula.

SÓ NOTICIAS – BOMBAS

As informações são de quarta e manhã de quinta-feira, quando redigimos esta coluna.

TEMER CONTRA DILMA– A presidente Dilma e o vice-presidente Temer voltaram a ser encontrar, quarta-feira, à noite. Temer reafirmou que disse em sua carta. Ele e o PMDB não apoiarão mais o governo de forma total. Só nas ações de interesse do pais.  Daqui em diante o PT será tratado como adversário. Quanto ao impeachment de Dilma, Temer ficará distante.

LÍDER AFASTADO- Horas antes do encontro Dilma- Temer, os deputados do PMDB que são favoráveis ao impeachment de Dilma derrubaram o líder do PMDB na Câmara, deputado Leonardo Picciani (RJ), colocando no seu lugar o deputado Leonardo Quintão (MG), que defende o impeachment. Picciani defendia Dilma.

CUNHA CONTINUA MANDANDO- Em mais uma manobra (a quinta) do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, o Conselho de Ética adiou a votação da abertura de processo para cassar o seu mandato. Ele teve a ousadia de substituir o relator Fausto Pinato (PRB-SP), que havia dado parecer contra Cunha, pelo deputado Marco Rogerio (PDT-RO). O processo agora volta à estaca zero, e solução sobre o afastamento do presidente da Câmara só no próximo ano.

FILHO DE LULA– A Justiça quebrou o sigilo bancário de Luís Claudio Lula da Silva, filho mais novo do ex-presidente Lula, e autorizou devassa nos dados fiscais da sua empresa. O mesmo aconteceu com ex-ministro de Lula, Gilberto Carvalho. Ambos estão envolvidos em esquemas de compra de medidas provisórias editadas nos governos do ex-presidente Lula e de Dilma Rousseff.

SERRA VOLTA SONHAR- Caso a presidente Dilma seja afastada do governo pelo Congresso Nacional, assumira seu lugar o Vice-presidente Michel Temer. Ele ficará no Palácio do Planalto até 31 de dezembro de 2018. Isto ocorrendo, o senador tucano José Serra poderá ser uma das estrelas do governo Temer. Seria o sinal verde para ele voltar a sonhar em ser candidato presidencial pela terceira vez, agora com o apoio do PMDB.

JOGOS DO AZAR- Senado aprovou, na quarta-feira, projeto de lei que libera a exploração de cassinos, bingos, jogos eletrônicos e jogos do bicho. A proposta agora será examinada pela Câmara dos Deputados.

INFLAÇÃO- Dispara e chega a 10,48% em 12 meses.

NOVO REABAIXAMENTO- A Agência Moodyis anunciou que vai retirar o grau de investimento do Brasil. É a segunda agencia a tomar esta iniciativa, devido a piora do quadro fiscal e das crises nas áreas politica e econômica. O Brasil ficará sem credito no exterior. É o nosso país mais próximo do abismo.

PROCESSO PARLAMENTAR

Cancelamento ou não do recesso parlamentar, previsto para o período de 23 do corrente mês até 31 de janeiro próximo, será decidido conjuntamente pelos presidentes da Câmara, deputado Eduardo Cunha, e do Senado Federal, senador Renan Calheiros, na próxima quinta-feira, dia 17.

O Palácio do Planalto pressiona para que os deputados e senadores retornem à Brasília no dia   11 de janeiro, para prosseguimento do processo do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Na sua avaliação quanto mais demora a tramitação desse processo, maior será o desgaste da presidente Dilma, por conta do agravamento do cenário da nossa economia.

O senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, também concorda com o funcionamento do Congresso Nacional     no segundo semestre de Janeiro, mas com uma pauta definida por acordo de todas lideranças políticas.