A sucessão presidencial de 2018 já faz parte da agenda diária dos partidos, principalmente das duas forças que se defrontaram nas ultimas eleições- o PT e o PSDB. Dando sinais também o PSD de que vai pretender participar dessa corrida, tendo o ministro Henrique Meirelles como seu candidato. A seguir as movimentações partidárias.

LULA COLOCOU PÉ NA ESTRADA- O ex-presidente Lula começou na quinta-feira (17), pela Bahia, sua peregrinação pelos estados do Nordeste, que se estenderá até 5 de setembro. É o pontapé inicial da campanha do PT com o objetivo de tentar fazer Lula voltar ao comando do governo. Essa viagem inaugural, batizada de “Lula pelo Brasil”, atingirá as cidades mais importantes da Bahia, Sergipe, alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceara, Piauí e Maranhão.  Excursões como essa serão realizadas, até o fim do ano, por outras regiões do Brasil. Os lideres petistas insistem em dizer que Lula superará todas as armadilhas da Operação Lava-Jato, e que o PT não tem Plano B para uma eventual vitória do juiz Sérgio Moro. Não é bem isso o que está acontecendo. Dois nomes são preparados para saída de Lula da corrida presidencial: o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, e o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner. Ambos têm viajado pelo pais para se fazerem mais conhecidos nacionalmente.

TUCANOS EM AÇÃO– O PSDB também já começou sua estratégia para conquista do Palácio do Planalto em 2018. Está sendo elaborado o calendário para a realização das convenções municipais (setembro), estaduais (outubro) e nacional em dezembro.    Esse processo está sendo coordenado pelo tucano paulista Silvio Torres, hoje secretario geral do Diretório Nacional do PSDB. A ideia é se debater nas convenções municipais e estaduais sugestões para reformulação do programa de ações da legenda que será discutido e votado na convenção nacional de dezembro. Nessa oportunidade serão eleitos os novos dirigentes do tucanato é também definido o nome do pré- candidato do PSDB para corrida presidencial que se avizinha. Na hipótese de ter mais de um postulante presidencial haverá prévia nacional, em fevereiro de 2018. É tido hoje como certo que  o candidato será o governador Geraldo Alckmin. Ele também já colocou as mangas de fora e costura sua candidatura com lideranças de diversos partidos. Na semana passada esteve em Brasília, mantendo uma serie de encontros com políticos não tucanos. No fim de semana, esteve em Florianópolis e em Porto Alegre, mantendo contatos diversos.

MEIRELLES NA DISPUTA- O PSD, presidido pelo ministro Gilberto Kassab, deu sinais de que poderá participar da próxima disputa presidencial. Seu candidato seria o ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, e filiado à legenda. Dirigentes do PSD estão tentando adiar para o fim do ano a apresentação do programa de proposta eleitoral, que pela grade do Tribunal Superior Eleitoral está previsto para acontecer em setembro. Por esse meio seria anunciado o nome de Henrique Meirelles que poderá também ser apoiado pelo setor do PMDB que é liderado pelo presidente Michel Temer, Meirelles só ficará fora da disputa no caso do programa que ele idealizou para recuperar a economia nacional for para o espaço. Sua candidatura está também sendo incentivada por importantes setores do empresariado nacional.

PREVIDÊNCIA INCERTA

No Congresso Nacional, esta semana, predominaram, tão somente incertezas, duvidas, apreensões e pretensões de grupos parlamentares de emplacarem um  apadrinhado para ocupação de espaço no governo.

O presidente Michel Temer, mesmo com toda sua habilidade politica, não está conseguindo recompor sua base de apoio no Congresso Nacional. Com a proximidade da campanha de reeleição, os deputados e senadores só têm em mente seus interesses pessoais e imediatos, que são a sua própria sobrevivência no cenário politico nacional. E a situação mais se agrava quando se leva em conta que 41 dos 81 senadores e 190 dos 513 deputados estão com pendências criminais no Supremo Tribunal Federal, a maioria por conta das ações da Lava-Jato.

Com esse quadro de horror exposto, as ações legislativas se embaralham. A reforma da Previdência Social está parada na Câmara há quase três meses. Com o andar da carruagem, as mudanças previdenciárias, tão necessárias para o pais sair do buraco em que se encontra desde o inicio do segundo governo de Dilma Rousseff, em 2015, não avançarão. Vai acabar prevalecendo a pressão dos 200 milhões de brasileiros que direta ou indiretamente serão atingidos pela reforma. Essa herança certamente ficara para o presidente a ser eleito em 2018.

ARROCHO DO GOVERNO

O governo federal decidiu ampliar o rombo nas contas  públicas, neste ano e em 2018, para R$ 159 bilhões- R$ 20 bilhões acima da meta fixada. Esse desequilíbrio- segundo o ministro Henrique Meirelles, da Fazenda- decorre da frustação na arrecadação causada pelo fraco desempenho da economia nacional, é também pelos gastos que não param de crescer acima da inflação, com destaque para as despesas da Previdencia Social. Para enfrentar a situação altamente deficitária, o governo anunciou uma serie de medidas que atingem em cheio os servidores públicos federais. O aumento de vencimentos previsto para 2018 foi adiado para 2019, exceto dos militares. Remuneração dos servidores, incluindo adicionais, não poderá ser superior a R$ 33,7 mil, quantia paga aos ministros do Supremo Tribunal Federal, Funcionários que ganham acima de R$ 5,5 mil pagará mais à Previdência Social, passando a 11% para 14% o desconto. Daqui por diante, salario de quem ingressar no serviço publico federal não poderá ser superior a R$ 5 mil. O governo vai extinguir 60 mil cargos vagos existentes em vários ministérios.

Todas as medidas visando a redução dos gastos públicos terão de passar pelo crivo do Congresso Nacional. O governo vai enfrentar uma nova guerra, já que os funcionários públicos federais compõem uma força de pressão junto aos deputados e servidores, e num período que vai justamente ser o inicio da campanha eleitoral para reeleição.

Especialistas em contas publicas afirmam que mesmo com todos os cortes promovidos, o rombo orçamentário vai durar ate 2020.

REFORMA POLITICA

Os deputados iniciaram na quarta-feira, no plenário da Câmara, das discussões em torno da reforma politica. Deixaram para a próxima semana as votações dos dois pontos mais polêmicos da reforma:  criação  de um fundo, no valor de R$ 3,6 bilhões, para financiar as despesas das campanhas eleitorais de 2018, e a instituição do modelo “distritão” para a eleição de deputados no próximo ano, e vereadores em 2020. Por esse sistema serão eleitos os candidatos mais votados em seus respectivos estados ou municípios.  São fortes as reações na sociedade brasileira à essas duas regras. Já existe um consenso entre os deputados de que recursos de R$ 3,6 bilhões são muitos elevados, e já falam em reduzi-los para R$ 2 bilhões. O valor real seria definido pela Comissão de Orçamento do Congresso Nacional quando discutirá a proposta de Orçamento da União para 2018.

Até a próxima terça-feira, as lideranças partidárias vão procurar uma saída para a proposta do modelo “distritão” e para as regras que vão orientar o funcionamento e criação dos partidos.  A ideia é reduzir o numero de partidos.

Os parlamentares vão ter de correr contra o relógio, para votarem até o fim de setembro as mudanças no sistema politico- eleitoral. Pela Constituição, elas terão de ter validade um ano antes das eleições gerais de outubro de 2018. Terão de ser aprovados, no mínimo, por 308 votos na Câmara, e 52 votos dos 81 senadores. E essas votação ocorrem em dois turnos.