LUTO

Nestes poucos dias restantes de 2015, aos brasileiros só resta ajoelhar, levantar as mãos para o céu e rezar. Suplicar a Deus para que não se tornem realidade as previsões catastróficas para 2016.

Esqueçam as comemorações mixurucas do Natal. Elas foram apenas o aperitivo do que está por vir, a partir de 1° de janeiro. O Brasil entrará em 2016 chafurdado nas mais graves crises políticas, econômicas e falta de vergonha da sua história.

O desemprego, a aflição maior para os brasileiros, está subindo pelo elevador bem acelerado. Só em novembro, as demissões chegaram a 136.629. Registro que não se via há anos. Nenhuma perspectiva de melhora. Pelo contrário, ela se agravará, levando-se em conta o anunciado encerramento de atividades em vários setores produtivos do país. Prenúncio de que no próximo ano, Brasil afora acontecerão muitos movimentos de protestos e reivindicações.

A inflação, medida pelo IBGE, já atinge os 11%. Pura enganação. Para os brasileiros que frequentam feiras livres, padarias, farmácias, pelos botecos do seu dia a dia, sentem que o custo de vida já bate nos 15%.

Os juros já viraram caso de polícia. E o Banco Central sinaliza que, em janeiro ou fevereiro, elevará ainda mais a taxa básica de juros Selic, hoje em 14,15%. A mais alta de todo mundo.

No exterior, o Brasil vai começar o ano com a fama de um pais caloteiro, um mal pagador, por conta do seu rebaixamento feito por duas agências internacionais de riscos. O resultado imediato é a fuga dos investimentos estrangeiros, tão necessários para impulsionar o crescimento do país. A consequência é mais desemprego, mais inflação e juros subindo. E o pais segue empurrado para o abismo.

FUTURO SOMBRIO

Para barrar a situação de horror em que o Brasil está mergulhado, a presidente Dilma entregou o comando do Ministério da Fazenda ao economista Nelson Barbosa, que ocupava a função de ministro do Planejamento. Foi assim descartado o economista, muito bem-conceituado, Joaquim Levy. Ele foi chamado, no início do segundo governo da presidente Dilma, para cumprir a missão de tentar recolocar a economia nacional nos trilhos. Adotou medidas amargas e impopulares para ajustar as contas do governo. Seu trabalho, desde o início, foi escandalosamente boicotado pelo hoje seu substituto Nelson Barbosa, um petista de primeira linha que cumpria ordem do ex-presidente Lula e da cúpula do PT. As medidas defendidas por Levy não foram aceitas por eles.

Nelson Barbosa integrou a equipe de Guido Mantega, responsável por ter levado o país para o fundo do poço, no primeiro mandato de Dilma. Ele é apontado como o maior responsável pelo rebaixamento da imagem do Brasil no exterior. É investigado no Tribunal de Contas da União como um dos autores das pedaladas fiscais dadas pela presidente, e que deram origem ao processo de impeachment contra ela.

Nelson Barbosa é também visto como descompromissado com o ajuste das contas públicas. É cercado por desconfiança em todos os setores da economia nacional.

Veja sua última façanha como ministro do Planejamento. Não é informação mentirosa. Ela está registrada no Diário Oficial. Pressionou tanto o Congresso Nacional, na última semana, que fez aprovar, como receita do Orçamento da União de 2016, recursos da CPMF, que sequer foi votada pelos deputados e senadores. O projeto que recria o imposto do cheque, extinto em 2007, ainda está tramitando na Câmara. O Palácio do Planalto terá pela frente uma guerra para a criação de mais este imposto. A opinião pública será mobilizada para evitar mais este ato de desgoverno. O que o Congresso Nacional aprovou foi um orçamento de ficção, com receita inexistente. Pior, foram criadas despesas por conta dessa receita fictícia. Só mesmo muita reza dos brasileiros para salvar nosso Brasil.

AFASTAMENTOS DE DILMA E CUNHA

“Fora Dilma”, “Fora Cunha”- são gritos que ecoam pelas ruas de todo o país. São clamores que só terão um fim depois do carnaval, com o retorno a Brasília dos deputados e senadores e encerramento das férias no Poder Judiciário.

O processo do impeachment da presidente Dilma ganhou um expressivo alívio no Supremo Tribunal Federal. A maioria dos ministros decidiu que a comissão especial da Câmara deve ser integrada tão somente pelos deputados indicados pelos líderes. Nada de candidatos avulsos. Será uma eleição que escolherá os nomes previamente indicados. Bom para o governo, que se beneficiou também de outra decisão do Supremo. Mesmo que a Câmara aprove o impeachment da presidente, o Senado terá o poder de decidir se aceita ou não o que foi aprovado pelos deputados.

A oposição, derrotada no Supremo, aposta que no decorrer do longo período de férias dos parlamentares- 40 dias- eles serão pressionados nas suas bases eleitorais para votarem pelo afastamento de Dilma. Também é considerado o fato de 81% da população, atualmente, serem contrários ao governo do PT.

Já o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, está com a corda no pescoço. Seu futuro está nas mãos do ministro-relator dos processos da Lava-Jato, Teori Zavascki. Caberá a ele decidir por conta própria ou pelo plenário da corte sobre o pedido de afastamento de Cunha da presidência da Câmara e a suspensão do seu mandato de deputado, formulado pelo procurador geral Rodrigo Janot. Essa decisão só sai depois do carnaval.

MAIS NOTICIAS IMPORTANTES

RENAN ATINGIDO– O ministro Teori Lavascki, relator no Supremo Tribunal Federal dos processos relativos as roubalheiras na Petrobras, autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele está sendo investigado em 6 inquéritos sobre desvios de recursos na maior estatal do país.

APOSENTADORIA– No início de 2016, o governo enviará ao Congresso Nacional proposta elevando de 60 para 65 anos para homens e de 55 para 60 para mulheres, os prazos para os brasileiros requererem suas aposentadorias.

CONCURSOS- Por absoluta falta de recursos financeiros, o governo Dilma Rousseff deverá suspender a realização de concursos públicos em 2016.

TROCA DE PARTIDO- O presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros, avisou aos líderes partidários que promulgará somente em fevereiro a PEC que vai possibilitar que os detentores de mandatos eletivos possam deixar os partidos pelos quais foram eleitos nos 30 dias após a promulgação da emenda constitucional, sem perder o mandato. A expectativa em Brasília é que pelo menos 50 deputados mudem de partido.

FÉRIAS– Em janeiro, vamos descansar. Voltamos com a coluna no dia 30, véspera da reabertura dos trabalhos do Congresso Nacional e do Poder Judiciário. Nossa torcida é que todos os brasileiros rezem mesmo para o Brasil sair do atoleiro em que se encontra.