(Foto: Divulgação)

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O rótulo é um pequeno impresso que se coloca em frascos, garrafas, latas, caixas entre outros, para indicar o seu conteúdo.

Já a sua concepção extrapolou os âmbitos comerciais e passou a ser uma constância nas relações sociais. Como se não bastasse sermos julgados, e o que é pior, condenados o tempo todo, somos rotulados, classificados e condenados por muitos que não tem efetivamente uma personalidade que lhes de essência, projeção, a não ser por seus cargos ou finanças. Isso resultado muitas vezes de uma imaginação retrógada, estagnada ou de uma visão míope daquilo que realmente somos.

Como se o fato de ser rotulado não bastasse, o que mais me assusta e intriga é por quem somos rotulados, muitas vezes hipócritas e inábeis incapazes de ver além do que querem ou podem.

Muitos já comprometeram seu livre arbítrio seja no trabalho ou para os fins que destinam suas efêmeras vidas e assim, suas pacíficas e modestas vidas não terão rótulos e nem bulas, só nomes comuns e nada mais. Números que entram para matemática fria longe da história filosofia de uma vida.

Rotulam-se coisas, situações e indivíduos. Rotulam-se pessoas com dificuldades de raciocínio de retardadas. Deficientes físicos de incapacitados. A quantidade de melanina quanto a superioridade racial, ricos e pobres, bonitos e feios, bêbados, homossexuais, prostitutas, heróis, bandidos, bons ou maus profissionais, nos enfiam em partidos políticos, sindicatos e em vários outros lugares que nem nós mesmo sabíamos que pertencíamos.

Tudo isso fomenta estereótipos, convencionalismo e uma preguiçosa maneira de pensar, porque as pessoas já não se preocupam em conhecer melhor algo ou alguém. Olha-se e faz-se o perfil sem pensar que cada ser humano tem a sua própria individualidade, mesmo quando se esforça para se enquadrar num grupo social que, muitas vezes, se mostra exageradamente hipócrita.

A incoerência ocorre quando alguém considera estar num patamar d’onde possa rotular pessoas, sentimentos, valores… Isso, além de impertinente, é deplorável.

Cada um tem sua autonomia e liberdade para assumir riscos e gostos, mas não tem o direito de, a partir deles, subjugar outras pessoas.

Um terreno fértil para a rotulagem seria então: uma pequena cidade, alguns gabinetes, cargos, incompetência e intolerância somada a uma boa doze de covardia e cobiça.

Enfim, quem tem fama deita na cama e quem não tem onde dorme?