PMDB, Partido do Movimento Democrático do Brasil (Imagem: Divulgação)

PMDB, Partido do Movimento Democrático do Brasil (Imagem: Divulgação)

Um tsunami político abalou o país na madrugada desta terça-feira (7) com notícia dos pedidos de prisão do ex-presidente José Sarney, dos presidentes do Senado (Renan Calheiros) e da Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha) e do senador Romero Jucá, presidente Nacional do PMDB, formulado ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador –geral da República, Rodrigo Janot.

Os pedidos de prisão estão relacionados com as gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro, ex-senador Sérgio Machado, envolvendo os citados caciques pemedebistas. As conversas sugerem trama para atrapalhar as investigações da Operação Lava- Jato sobre as roubalheiras ocorridas na Petrobras.

Em relação a José Sarney, o pedido é de prisão domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica, em razão de sua idade -86 anos.

Foi pedido também o afastamento de Renan Calheiros da Presidência do Senado.

A prisão de Eduardo Cunha foi solicitada por estar obstruindo o processo contra ele no Conselho de Ética da Câmara.

No diálogo gravado por Sergio Machado, Romero Jucá chegou a falar em um pacto para barrar a Operação Lava-Jato. Outro diálogo revelou que Renan Calheiros chamou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de mau caráter, e disse que trabalhou para evitar a recondução dele para o comando da PGR, mas ficou isolado.

Em sua delação premiada, Machado informou que entregou ao presidente do Senado a importância de R$ 30 milhões, em forma de propina de contratos celebrados pela Transpetro, a maior empresa de transporte de combustível do pais. José Sarney e Romero Jucá receberam 20 milhões, cada um.

Os três caciques políticos são apontados como responsáveis pela manutenção de Machado à frente da Transpetro durante 13 anos. Também recursos desviados da Petrobras ele direcionou aos senadores Edison Lobão e Jader Barbalho, ambos da cúpula do PMDB.

Os pedidos de prisão dos caciques peemedebistas estão nas mãos do ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava-Jato em tramitação no Supremo Tribunal Federal. Ele tem o poder monocrático de decidir, mas, é bem provável que optará por uma decisão compartilhada com os outros dez ministros da Corte. Teori Zavascki é um ministro extremamente reservado, não dando chance que qualquer tipo de pressão chegue a ele. A expectativa é que a decisão do Supremo sobre as prisões seja divulgada nos próximos dias. O ministro Gilmar Mendes considerou o vazamento dos pedidos de prisões “uma brincadeira com o Supremo”.

Em notas à imprensa, os quatro líderes peemedebistas rebateram as acusações da PGR. O ex-presidente Sarney se disse “perplexo, indignado, revoltado”. Para todos ele foi “um absurdo” o pedido de suas prisões.

OUTRAS REVELAÇÕES

Marcelo Odebrecht, presidente da maior construtora do país, revelou que a presidente Dilma pediu a ele, pessoalmente, R$ 12 milhões como contribuição para os gastos com sua reeleição em 2014. Ela negou a informação.

O ex-diretor Nestor Cerveró confessou que direcionou       R$ 564 milhões em propinas resultantes de malfeitos na Petrobras a líderes do PT, citando como principal deles o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner. Ele também reafirmou que a presidente Dilma quando presidente do Conselho de Administração da Petrobras, sabia sim da compra irregular da Usina de Passadena, nos Estados Unidos. Segundo o TCU, o prejuízo dessa operação foi de 800 milhões de dólares, e que vários líderes petistas se beneficiaram dessa maracutaia.

Nestor Cerveró, em razão de suas delações, deverá sair da cadeia, em Curitiba, nos próximos dias. Ficará recolhido em sua residência, no Rio de Janeiro.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um inquérito contra o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG). A investigação tem como objetivo saber se ele atuou para “maquiar” dados da CPI dos Correios, em 2005. Além disso, esconder a relação entre o Banco Rural e o chamado “mensalão mineiro”. Na época, Aécio Neves era governador de Minas Gerais. Também serão investigados Clésio Andrade, que era vice-governador do tucano, e o atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que era filiado ao PSDB.

IMPEACHMENT DIA 2 DE AGOSTO

A ação de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que tramita no Senado Federal, deverá estar concluída no dia 2 de agosto, uma terça-feira. Portanto, três dias antes da abertura da Olímpiada do Rio de Janeiro. Isso ocorrendo, seria evitado o constrangimento internacional do Brasil ter dois presidentes- um no exercício e outro afastado- na solenidade de que contará com a presença de mais de uma centena de chefes de governo de todo planeta.

De acordo com o cronograma aprovado pela Comissão Especial do impeachment, na quarta-feira, começaram a ser ouvidas as testemunhas dos dois lados. A presidente Dilma, se desejar, no próximo dia 20, poderá se defender perante os senadores da Comissão. Tanto a defesa como a acusação, cada uma terá 15 dias para apresentação de suas alegações finais. No dia 27 de julho, a Comissão votará o relatório, submetendo-o à apreciação final do plenário do Senado. Esta sessão está marcada para o dia 2 de agosto. O impeachment da presidente só será aprovado com os votos de dois terços do plenário (54) do Senado composto de 81 senadores.  Se isso não ocorrer, a presidente Dilma reassumirá imediatamente o cargo de presidente. Na hipótese de o impeachment ser aprovado, o vice-presidente Michel Temer se manterá à frente do governo, até o dia 31 de dezembro de 2018.

ARROCHO NO FUNCIONALISMO

A equipe econômica convenceu o presidente interino Michel Temer vetar o aumento dos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal, recém aprovado pelo congresso Nacional. A elevação do subsídio dos magistrados de R$33.763,00 para R$ 39.293,00, causaria efeito cascata em todas as carreiras do funcionalismo público – federal, estadual e municipal – em todo o país.

Michel Temer deverá vetar também a criação de 14,4 mil cargos no serviço público federal. Se prevalecer o pacote de bondades do congresso, só nas contas da união seu impacto será da ordem de cruzeiros R$100 bilhões, até 2019.

O governo deverá anunciar também suspensão dos concursos públicos nesse ano e em 2017.