(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

O Brasil está mesmo virado de cabeça para baixo. Está flutuando desconectado, com apenas um fio tênue ligando os vários segmentos.

A crise econômica é a mais grave de sua história. Sua consequência dramática é a geração de 12 milhões de desempregados, superior às populações de vários países. A inflação está difícil de ser domada.

A sociedade brasileira está na expectativa de que um milagre surja da equipe econômica, liderada pelo economista Henrique Meirelles. Ela é de alto nível e competência reconhecida. Esse milagre não pode demorar. Tem que ocorrer já. Enviar sinais de confiança e segurança aos brasileiros de que o Brasil ainda tem jeito. Ele pode ser recolocado nos trilhos do crescimento.

Já o cenário político-partidário nacional a cada dia mais no fundo do poço. Os últimos sinais o aproxima da realidade de uma rede de esgoto a céu aberto.

Os brasileiros são surpreendidos diariamente com informações de como vinha sendo fácil roubar recursos públicos. Como era corriqueiro o enriquecimento ilícito da elite dos políticos, com poder de sustentar desonestos à frente de gestões de setores públicos vitais para o país. As delações premiadas- confissões daqueles que procuram reduzir os seus anos de prisão- estão colocando a nú todos os assaltos, que vinham ocorrendo em setores sob domínio do PT e PMDB, os dois maiores partidos do país. Eles juntos governaram o Brasil por 13 anos, sob os comandos de Lula e Dilma Rousseff. E vejam que os roubos sempre foram acima de milhões de dólares e estranhamente ninguém sabia de nada.

Volto a insistir: aos brasileiros resta ajoelharem, levantarem as mãos para o céu e rezarem. Suplicarem para que os ministros do Supremo Tribunal Federal e os investigadores da Operação Lava-Jato continuem firmes em suas determinações de passarem o Brasil a Limpo.

IMPEACHMENT DE DILMA

Os aliados de Michel Temer fazem de tudo para que o processo do impeachment da presidente Dilma Rousseff esteja concluído no dia 2 de agosto, três dias antes do início da Olimpíada do Rio de Janeiro. Na outra ponta, os defensores de Dilma manobram para que tal não aconteça. Indicaram 40 testemunhas para tentarem comprovar que o afastamento da presidente é realmente um golpe. Os argumentos apresentados por eles são repetitivos, sem nenhum poder de convencimento. Daí o otimismo dos defensores de Michel Temer ao projetarem para 60 o número de senadores que votarão pelo impeachment de Dilma. Se isto de fato ocorrer, Michel Temer ficará à frente do comando do Brasil até 31 de dezembro de 2018, dia que terminará o mandato do governo eleito em 2014.

IMPASSE NA CÂMARA

Eduardo Cunha é mesmo um osso duro de se roer. Reafirmou que não renunciará à presidência da Câmara dos Deputados, da qual foi afastado temporariamente por decisão do Supremo Federal. Regimentalmente, cabe ao vice-presidente, deputado Waldir Maranhão (PP-MA) assumir o comando da Câmara. Mas a maioria dos deputados não reconhece nele as mínimas condições para ocupar tão importante cargo, ao qual se soma o direito de suceder o vice-presidente Michel Temer, num seu eventual afastamento. E ele também se recusa renunciar ao cargo. Daí o impasse que está dificultando o bom andamento dos trabalhos legislativos.

E também não existe consenso para a escolha do parlamentar para presidir a Câmara até o dia 31 de janeiro de 2017, já que no dia de fevereiro será eleita a nova Mesa Diretora, com mandato até 2018.

ALIVIO PARA OS ESTADOS

Um grande alivio para os 27 Estados da Federação, que estão com enormes dificuldades financeiras para saldarem suas obrigações: o acordo celebrado pelo governo provisório de Michel Temer com os governadores, possibilitando aos estados pagarem suas dívidas com a União somente a partir de janeiro de 2017.  Sobre elas ainda terão desconto gradual de 5,5 pontos percentuais por mês, até junho de 2018. Todas as dívidas dos estados somadas atingem a R$ 500 bilhões. Essa bondade do governo federal, até 2018, provocará um impacto de R$ 50 bilhões nas suas contas.

Tem mais: o prazo das dívidas estaduais com a União foi alongado por mais 20 anos. Foram também prorrogadas as cinco linhas de crédito do BNDES por mais 10 anos, com carência de quatro anos.

Michel Temer, em seu discurso, afirmou que essas medidas podem ser consideradas como o início de uma revisão do pacto federativo. Adiantou que, em breve, vai propor ao Congresso Nacional a revisão desse pacto, para conceder maior autonomia aos estados e municípios, e como consequência, mais recursos para eles.

CONTRAPARTIDA

Como contrapartida, os governadores terão de limitar os gastos públicos ao teto da inflação. O poder executivo federal encaminhará uma proposta de emenda à Constituição, definindo que os gastos com custeio só poderão crescer até a inflação dos últimos 12 meses. Não é uma questão de cortar gastos, é segurar o aumento do custeio. Isso é fundamental para o estado sobreviver já que, no nosso caso, temos todo o orçamento comprometido com custeio, sobrando muito pouco para investimento”, afirmou o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg.

Pelo twitter, o presidente interino avisou que enviará PEC ao Congresso para que as  despesas não possam crescer mais do que a inflação do ano anterior, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Temer conta com a colaboração dos parlamentares na aprovação da medida. “Evidentemente, em face das negociações, nós vamos cuidar de inserir essa fórmula na emenda constitucional, ora em tramitação”, disse Temer.

Num outro ato de bondade o governo Michel Temer concedeu ao governo do Rio de janeiro auxílio  de R$ 3 bilhões, para atender os compromissos decorrentes de obras e serviços da Olimpíada, que terá início em 5 de agosto. Na semana passada, o governador do Estado do Rio de Janeiro declarou estado de calamidade, por não ter condições de atender tais obrigações. Os governadores dos demais estados se solidarizaram com a situação do Rio de Janeiro.