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O presidente Jair Bolsonaro assume o governo no dia 1° de janeiro tendo pela frente dois megas desafios: eleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, e convencer o Congresso Nacional a votar imediatamente a reforma da Previdência. Sem uma reformulação radical no sistema previdenciário, ele não terá como governar o Brasil. Só para 2019 os gastos com Previdência somarão R$ 637,9 bilhões. Neste ano de 2018, para cobrir as despesas da Previdência, foram desviados recursos que poderiam ter sido aplicados na saúde, educação e segurança pública. E nada foi investido para a recuperação das rodovias, melhoria e ampliação nos aeroportos, portos, ferrovias. Por conta dos gastos previdenciários, o orçamento da União para 2019 prevê um déficit de R$ 139 bilhões.

Para estancar essa sangria bilionária na Previdência, e tornar o país governável, impõe-se a adoção de medidas drásticas, como o corte de vantagens, benefícios, o que atingirá todos os brasileiros. Acontece que nenhum deles, com raras exceções, concorda perder privilégios. Dai a solidariedade dos deputados e senadores de ficarem contra qualquer mudança na Previdência.

ELEIÇÕES NO CONGRESSO

As dificuldades para essa reformulação somá-se a guerra que está começando para a escolha dos futuros presidentes da Câmara e do Senado, que ocorrerá no dia 1° de fevereiro.

Os parlamentares que se elegeram na onda que conduziu Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto não concordam que duas raposas tradicionais do cenário politico, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o senador Renan Calheiro (PMD- AL) voltem ao comando das duas casas do Congresso. Eles já estão em campanha na busca de adesões. Os bolsonaristas alegam que o resultado das urnas em 7 outubro foi no sentido de mudanças na forma antiga de ser fazer politica, dai a rejeição dos dois caciques.

Jair Bolsonaro tem procurado ficar equidistate dessa disputa, alegando que precisa de parlamentares, dos dois lados para manter a governabilidade no Congresso Nacional e garantir no mínimo os 308 votos na Câmara, e 54 no Senado, necessários para aprovação da reforma da Previdência.

Aproveitando a “lua de mel” do novo governo com a sociedade, Jair Bolsonaro e o seu ministro da Economia, Paulo Guedes, vem mantendo contatos diretos com os deputados e senadores para tentar convence-los da necessidade da reformulação no sistema previdenciário. Estão também tentando atrair os governadores para entrarem nessa luta de convencimento dos parlamentares.

SUJOU NA SAÍDA

O atual Congresso Nacional, cujos integrantes terão seus mandatos encerrados no dia 31 de janeiro próximo, marcou o fim da legislatura com uma imagem extremamente negativa. Está mais mal avaliado do que o Governo Michel Temer.

Pesquisa da XP investimentos revela que 64% dos entrevistados consideram o governo Temer como ruim ou péssimo, e 65% fazem essa mesma avaliação do Congresso Nacional. Além disso, 8% consideram o governo Temer como ótimo ou bom, enquanto só 5% avaliam o mesmo da atuação dos deputados e senadores.

E esses parlamentares, na sua maioria, estão deixando o Congresso, com péssimos exemplos. Sem nenhuma responsabilidade com o rico dinheiro do contribuinte, aprovaram um programa que concede pesados incentivos a montadoras de veículos. Outro golpe na futura arrecadação federal foi a aprovação de um projeto do senador não reeleito Eunicio de Oliveira (MDB-CE), que prorroga por cinco anos alentada renuncia fiscal em favor de empresas do Norte, Nordeste e Centro Oeste. Essa bondade representará menos R$ 9,3 bilhões nos cofres da União. Deram aval para negociações de dividas dos produtores rurais, medida que resulta em despesas de R$ 34 bilhões.

E para fechar o programa de bondades, os parlamentares decidiram por privilegiar os deputados e senadores que vão ser empossados em 1° de janeiro: estenderam a eles os reajustes de 16,38%, que eles aprovaram para os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal. Os salários passarão de R$ 33,2 mil para R$ 39,7 mil, mensalmente.

APPROVADO ORÇAMENTO

Na noite de quarta-feira, o Congresso Nacional aprovou o Orçamento da União para 2019, o primeiro ao qual estará submetido o governo de Bolsonaro. O salario mínimo foi fixado em R$ 1.006, a partir de janeiro. As contas públicas no próximo ano ficarão deficitárias em R$ 139 bilhões.

Câmara dos Deputados e Senado Federal voltarão a se reuniu em 1° de fevereiro, para a posse dos deputados e senadores eleitos e reeleitos em 7 de outubro.