(Foto: Reprodução)

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“Fora PT” e “Brasil para frente, Temer Presidente”. Foram os gritos ouvidos assim que terminou a reunião do Diretório Nacional do PMDB, quando decidiram, por aclamação, se afastar do governo Dilma Rousseff, e ao mesmo tempo se engajar no movimento pró-impeachment dela. Nessa reunião, que durou apenas três minutos, foi decretado o fim da aliança com o PT que já durava treze anos.

Os seis ministros indicados pelo PMDB terão de entregar seus cargos imediatamente ou deixar a legenda. São 600 cargos nos 2° e 3° escalões, ocupados por indicação dos peemedebistas, que serão devolvidos para o Palácio do Planalto.

Foi colocado um fim no relacionamento do PMDB com o PT e com ex-presidente Lula. A guerra agora é para ver quem conseguirá mais apoio dos deputados dos partidos médios e nanicos com vistas ao impeachment da presidente Dilma. Certamente, o país vai assistir enormes leilões de promessas feitas pelos dois lados. E isso em meio a um clima de alta temperatura. Certamente com a participação das vozes das ruas, convocadas pelos apoiadores tanto de Temer como de Dilma.

Temer já ganhou o apoio da oposição- PSDB, DEM e PPS. Está conversando com o PSB, PP, PSD e PTB. Está ouvindo a exigência de formação de um governo de “coalizão nacional”, que conte com a participação de nomes que tenham condições de levar avante um programa de recuperação da economia nacional, para tirar o Brasil do fundo do poço.

Na opinião de líderes peemedebistas, o “PMDB foi apenas utilizado nesses 13 anos de aliança com o PT para votar as matérias que eles decidiam, nunca para participar de formulação de nada. Não tem sentido o PMDB continuar sócio de um governo impopular com medidas que não concordamos”.

A presidente Dilma cancelou viagem que faria neste final de semana aos Estados Unidos, na intenção de evitar que o vice-presidente Michel Temer assumisse o governo provisoriamente.

VALE TUDO PARA SALVAR DILMA

A presidente Dilma e o ex-presidente passaram a atuar de forma agressiva e pesada para tentar o sepultamento da proposta do impeachment da presidente, ainda no âmbito da comissão especial da Câmara dos Deputados. Não tendo êxito nessa fase inicial do processo, a estratégia de ambos é, na votação que vai ocorrer no plenário (513 deputados), pelo menos garantir o apoio de 171 deputados, votação suficiente para evitar que Dilma seja defenestrada do Palácio do Planalto.

Nesta guerra, Dilma e Lula usam armas de todos os calibres. O contato com o parlamentar é pessoal, de olho no olho. Ele é assediado com a oferta de nomeações na Esplanada dos Ministérios, liberação do pagamento de emendas ao orçamento da União, e até ajuda financeira ao parlamentar endividado. Nesta empreitada o Palácio do Planalto estima gastar por volta de R$ 50 bilhões.

A dupla repete seguidamente que o impeachment não passa de um golpe orquestrado pela oposição, que perdeu as eleições em 2014. Essa tese, todavia, foi desqualificada por quatro ministros do Supremo Tribunal Federal- Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Celso de Mello e Marco Aurélio Mello. A posição de Toffoli foi duramente criticada no Palácio do Planalto, já que ele está na mais alta Corte por indicação do então presidente Lula e ter sido ele advogado do PT. Os quatro ministros afirmaram que o impeachment pode sim acontecer, é uma medida prevista na Constituição. Não representa, portanto, nenhum golpe, como pregam Dilma e Lula. Eles não convencem também boa parte dos juristas do país.

Se o processo não for sepultado na Câmara, dificilmente será evitado no Senado o afastamento de Dilma do governo. Para seu lugar iria o vice-presidente Michel Temer, que encerraria o mandato do atual governo, no dia 31 de dezembro de 2018.

Na Câmara, na segunda-feira, dia 4, encerra o prazo para a presidente apresentar sua defesa no processo do impeachment. A comissão terá prazo de cinco dias para dizer se aceita ou arquiva o processo. Esse parecer, 48 horas depois, será debatido e votado pelos 513 deputados. Dilma, para se salvar, necessita de apenas 171 votos. Essa votação que será aberta deverá acontecer na semana do dia 11, segunda-feira, até o dia 15, sexta feira.

DIFÍCIL CONVENCIMENTO

Dilma e Lula estão tendo muitas dificuldades para conseguir os 171 votos. A principal delas é a pressão que os parlamentares estão recebendo em suas bases eleitorais para que afastem a presidente do Poder. Esse assédio é tão grande que interfere nas possibilidades eleitorais dos candidatos às prefeituras e câmara de vereadores. Uma derrota na esfera municipal representa um sinal de dificuldades nas campanhas de reeleição dos deputados e senadores.

E a pressão que os parlamentares sofrem na base deriva da crise econômica que atinge toda sociedade brasileira, que, em sua maioria, não acredita mais ter a presidente Dilma condições, capacidade, para tirar o Brasil do atoleiro em que se encontra. A ela é debitada a destruição de todos os pilares de sustentabilidade da economia nacional. As consequências estão no crescimento do desemprego – hoje são 9,6 milhões de pessoas sem trabalho, a inflação sem controle, a fuga dos investimentos.

Com está situação de horror, está difícil um parlamentar, desde que não seja do PT e do PC do Brasil, ser convencido a votar em favor de Dilma.

UM NOVO IMPEACHMENT

Em meio a muita confusão no Salão Verde, com empurrões, troca de sopapos e ofensas entre advogados e militantes do PT, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) protocolou na Câmara dos Deputados mais um pedido de impeachment da presidente Dilma. A proposta é bem mais ampla do que a que está em tramitação na Câmara. Além das “ pedaladas fiscais”, a OAB incluiu no seu pedido a delação premiada do senador petista Delcidio do Amaral (MS), os benefícios fiscais concedidos à FIFA na Copa do Mundo e o suposto crime de responsabilidade da presidente Dilma ao nomear ministro de Estado o ex-presidente Lula.

Caberá ao deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, a decisão do rumo a ser dado ao pedido da OAB.