(Foto: Divulgação)

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A expectativa no Congresso Nacional é que até o dia 10 de maio Dilma Roussef estará afastada da Presidência da Republica, por decisão do Senado.

Neste final de semana será constituída a comissão especial de 21 senadores para emitir parecer sobre a admissibilidade de impeachment da presidente, aprovada no domingo passado pela Câmara dos Deputados, por 367 votos a favor, 137 contra, sete abstenções e duas ausências.

A comissão será instalada na próxima segunda-feira (25) e no mesmo instante elegerá seu presidente e relator. Previsto como certo que a comissão terá a maioria de senadores que são contra a permanência de Dilma no governo. A escolha do presidente e do relator segue no mesmo sentido.

A comissão terá prazo de dez dias para elaborar seu parecer, encaminhando-o para apreciação do plenário, composto de 81 senadores, sendo que 48 deles já se definiram pelo afastamento definitivo de Dilma. Se aprovada a decisão dos deputados, por maioria simples (41), o Senado dará início ao processo de impeachment, determinando o afastamento da presidente Dilma pelo prazo de 180 dias, ficando no seu lugar o vice-presidente Michel Temer. Daí em diante, o comando dos trabalhos será do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski. Serão abertos amplos debates sobre as causas que levaram os deputados a recomendarem o afastamento da presidente. Esse trabalho deverá estar concluído até o fim de setembro, véspera das eleições municipais.

A decisão final estará a cargo do plenário do Senado. Para afastamento definitivo da presidente, serão necessários os votos de dois terços (54) dos 81 senadores. Isso acontecendo, Dilma ficará impedida de ocupar cargos públicos durante oito anos. E Michel Temer completará o mandato do governo eleito em 2014, cujo final será no dia 31 de dezembro de 2018. Durante o seu afastamento temporário, a presidente poderá continuar residindo no Palácio da Alvorada.

TEMER CONVICTO

Michel Temer, que em setembro comemora 76 anos de idade, está convicto de que o Senado referendará a decisão da ampla maioria dos deputados.

Ele sabe muito bem das restrições que são feitas ao seu nome. De uma hora para outra, poderá aparecer como envolvido nas investigações da Operação Lava-Jato. O seu partido (PMDB), que ele preside desde 2003, tem sido citado em várias delações premiadas como beneficiário das roubalheiras milionárias ocorridas na Petrobras. Temer corre o risco de ser também condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral pelo fato da chapa Dilma-Temer ter usado dinheiro sujo na campanha eleitoral de 2014. A todas a essas acusações, Temer tem afirmado que não o atinge, e que delas sairá sem nenhuma dificuldade.

Michel Temer sabe também que não poderá errar no início do seu governo. Todos os seus tiros terão de ser certeiros.

Convicto que sairá imune de todas as acusações que lhe são feitas e da decisão final do Senado, Temer decidiu levar adiante suas consultas para a formação de um governo de união nacional. Quer trabalhar com uma equipe de peso, com nomes competentes e sérios, reconhecidos nacionalmente. Formar um governo com projetos de desenvolvimento viáveis, de marcos regulatórios, e mudanças nas áreas fiscal, trabalhista e previdenciário. Essencial que tenha capacidade de diálogo com a sociedade e com o Congresso Nacional. E Michel Temer está ciente que tais medidas terão de ser rápidas e convincentes. Caso contrário, terá nas ruas movimentos pedindo também sua saída do governo.

PT NAS RUAS

O ex-presidente Lula e a cúpula do PT já jogaram a toalha no chão. Já admitem que a presidente Dilma não tem nenhuma chance de reverter no Senado sua situação definida pela grande maioria dos deputados. E que será mesmo defenestrada do Palácio do Planalto.

Os petistas decidiram que não vão aceitar Michel Temer no comando do país, taxando-o de traidor e usurpador do poder. Sairão às ruas para desmoralizá-lo. Qualquer ação de Temer como presidente será motivo para protestos populares. Resumindo: o dia-a-dia de Temer será infernal.

Por outro lado, senadores que são contra Dilma e contra Temer apresentaram, no Senado, proposta de emenda à Constituição determinando a realização de eleições diretas para presidente e vice-presidente da República, no dia 2 de outubro deste ano, juntamente com as eleições municipais.

Já está sendo articulada uma movimentação nacional a fim de pressionar Michel Temer para preservar a Operação Lava-Jato e não mexer com o juiz federal Sergio Moro, que está à frente de um trabalho de combate à corrupção, câncer que se espalha por todo Brasil.