Em meio ao recrudescimento da crise política, econômica e ética brasileira, surge o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para sugerir que a presidente Dilma Rousseff renuncie a seu cargo, como um gesto de grandeza, possibilitando a abertura de caminhos para recolocar o país nos trilhos do crescimento. “Seu governo é legal, mas ilegítimo. Falta-lhe a base moral, que foi corroída pelas falcatruas do lulapetismo”- detonou FHC, em mensagem publicada nas redes sócias.

Foram as manifestações de rua do último domingo (16) que levaram o ex-presidente tucano à declaração tão contundente.

O Palácio do Planalto reconheceu tais manifestações – a terceira neste ano- como parte da democracia reinante no Brasil. Pregou, porém, o “fim do pessimismo”, “fim da intolerância” da oposição e de setores do próprio governo. Destacou que a presidente Dilma está aberta ao “diálogo com o Congresso Nacional e com a sociedade ‘brasileira”.

As manifestações de domingo levaram 1 milhão e 200 mil pessoas às ruas de 205 cidades pelo país afora. Em todas, o foco foi o pedido de impeachment da Presidente Dilma, “fora Lula”, fora o PT” e o fim da corrupção.

O senador tucano Aluysio Nunes Ferreira, da tribuna do Senado, afirmou que o PSDB apoiará um eventual processo de impeachment da presidente Dilma, aberto na Câmara dos Deputados.

O governador Geraldo Alckmin afirmou que não participará de protestos que peçam o afastamento da presidente, mas disse ser evidente a decepção da população. “O governo federal precisa agir rápido porque é claríssimo o descontentamento da população com a crise econômica, crise política e a crise ética”- disse o governador      paulista.

REAÇÕES

No Palácio do Planalto, as declarações de FHC geraram mal- estar e surpresa pelo endurecimento na posição, interpretada como forma de dar eco às ruas e manter a crise política.

Já para os tucanos, a fala do ex-presidente deu-lhes respaldo para continuarem defendendo a renúncia de Dilma. “O texto do ex-presidente FHC unificou o partido e pacificou o discurso. Essa linha deve orientar o PSDB”- disse o secretário-geral do partido, deputado Silvio Torres.

O ministro Celso Mello, o decano do Supremo Tribunal Federal, criticou a situação ética brasileira, quando a 2° turma rejeitou pedido para soltar o lobista Fernando “Baiano”- condenado por receber propina na contratação de navios para Petrobras. Celso de Mello afirmou que a corrupção está “impregnada” em algumas legendas partidários e órgãos do governo.

O Fernando “Baiano”, apontado como representante do PMDB junto ao esquema de roubalheira da Petrobras, está preso em Curitiba. Na segunda-feira, o Juiz federal Sergio Moro o condenou a 16 anos de cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro, além do pagamento de multa de R$ 2 milhões .

VIDA DIFÍCIL PARA PETISTAS

O mar não está mesmo para peixes no PT. A cada dia que passa, está ficando mais difícil para petistas de expressão na vida pública circular por espaços públicos, em horários movimentados. Quando identificados, só lhes sobram constrangimentos, com vaias, apupos, ou palavras desairosas. A presidente Dilma só comparece a evento com a garantia de estarem presentes apenas pessoas que vão aplaudi-la. Para fugir de panelaço e buzinaço, a presidente deixou de participar de programas na televisão com horário previamente fixado. O ex-presidente Lula passou a circular somente em carro blindado, deixando de lado o hábito de frequentar bares, restaurantes e eventos públicos, para não sofrer o constrangimento de algum tipo de maledicências.

Nas manifestações de rua, no domingo ultimo, apareceu em Brasília o boneco de 12 metros de altura do ex-presidente Lula em trajes de presidiário, fazendo um grande sucesso nas redes sociais. O ex-ministro petista Guido Mantega, em três oportunidades, viu-se obrigado deixar o restaurante em que pretendia almoçar, debaixo de vaia e xingamento. Deputados e senadores não colocam mais na lapela de seus paletós o boton de parlamentar ou do PT. E passaram, em sua maioria, a viajar de avião somente nos primeiros horários matutinos, para evitar as aglomerações dos aeroportos nos horários nobres.

A marcação popular contra os petitas passou a crescer a partir do momento das prisões do líder Jose Dirceu, do tesoureiro do partido e dos dirigentes da Petrobras indicados pelos petistas, por estarem envolvidos nas roubalheiras na Petrobras.

REFORMA TRIBUTÁRIA A JATO

O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, está determinado a tirar das gavetas do Congresso Nacional as propostas de reforma tributária, que ali dormem há décadas de anos. Pretende colocá-las em tramitação, como uma contribuição dos deputados para ajudar a economia nacional a sair do fundo do poço. As propostas são 96 PECs, 217 projetos de lei complementar e 1094 projetos de lei ordinária. Uma comissão especial de deputados especialistas em assuntos tributários foi nomeada para preparar uma proposta de texto de reforma tributária. Uma sugestão para simplificar o sistema tributário nacional, reduzir o peso dos impostos e melhorar a partilha dos tributos entre a União, estado e municípios.

A ideia é que a proposta de mudança tributária seja votada ainda neste ano, e posterior encaminhamento ao Senado.