(Foto: Divulgação)

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No próximo dia 10, ou mais tardar no dia 12, o Senado Federal aprovará o afastamento de até 180 dias de Dilma Rousseff da Presidência da Republica. Na segunda-feira, o plenário do Senado elegeu a comissão mista de 21 senadores-mais 21 suplentes- que vai opinar sobre a admissibilidade do impeachment da presidente, aprovada pela ampla maioria dos deputados (367 a 137). Na terça-feira, foi eleito o senador Raimundo Lira (PMDB-PB) para presidir o colegiado, ficando a relatoria com o senador e ex-governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia (PSDB). Dos 21 senadores da comissão, 16 se declararam favoráveis ao afastamento da presidente. A comissão terá 10 dias para elaborar seu parecer, que será submetido à apreciação do plenário, composto por 81 senadores (3 de cada Estado), sendo que 48 deles já se manifestaram contra a continuação de Dilma no governo. O parecer terá de ser aprovado por maioria simples, ou seja, 41 votos.

O colegiado ouvirá os juristas Hélio Bicudo, Reale Junior e Janaina Paschoal, autores da representação junto à Câmara dos Deputados, que deu origem ao processo do impeachment. Ouvirá também o advogado-geral da União, ministro José Eduardo Cardozo, defensor de Dilma.

O parecer da comissão deverá ser votado no plenário entre os próximos dias 10 e 12 de maio. Se aprovada a admissibilidade, a presidente Dilma será afastada do governo pelo prazo de 180 dias. No seu lugar assumirá o vice-presidente Michel Temer. Nesta segunda fase do processo, os trabalhos serão comandados pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski. A expectativa é que em setembro esses trabalhos estejam concluídos. Se absolvida, Dilma reassume imediatamente o cargo de presidente. Se condenada, ela é destituída do cargo e fica inabilitada para exercer qualquer posto público por oito anos. Caberá ao vice-presidente Michel Temer governar o Brasil até 31 de dezembro de 2018, último dia do mandato do governo eleito em 2014.

TEMER CÉLERE

O vice-presidente Michel Temer, em ritmo acelerado, avança em suas articulações, de olho na formação de um governo de união nacional. Assim age por estar convicto de que o Senado Federal aprovará o afastamento definitivo de Dilma Rousseff do comando do Brasil. E caberá a ele, o vice-presidente, completar o mandato do atual governo.

Suas atuais preocupações estão voltadas para a escolha dos nomes para compor as equipes dos ministérios da área econômica. Pensa na formação de um governo capaz de reconquistar aos poucos a confiança da população, hoje divorciada da classe política. E tendo apoio sólido no Congresso Nacional, levará avante as medidas necessárias para tirar o país do fundo do poço.

Temer já decidiu que não recorrerá ao aumento de impostos para ajudar no reajuste fiscal. Decidiu sepultar a ideia da presidente Dilma de recriar a CPMF, o famoso imposto do cheque. Ele acha que o brasileiro já paga impostos em excesso.

Na área política, Temer está tendo dificuldade em convencer o PSDB a integrar seu governo. Os tucanos afirmam que que apoiarão todas as medidas de Temer, que visam recolocar o Brasil nos Trilhos do crescimento. Querem se resguardar para tentarem um grande êxito nas eleições municipais de outubro. Este seria o ponto de partida de suas pretensões de conquistar o Palácio do Planalto em 2018.

Michel Temer tem também contra si o resultado de pesquisa do IBOPE divulgada nesta semana: 62% dos brasileiros acham que o melhor seria Dilma e ele Temer saírem do governo e a realização de novas eleições.

CUNHA, A BOLA DA VEZ

Liquidada a fatura do impeachment da presidente Dilma Rousseff, a pressão agora na Câmara é contra o presidente Eduardo Cunha. O seu banimento do cenário político do Brasil é solicitado em praça pública, na imprensa, nas redes sociais e no Congresso Nacional. Pode- se afirmar, sem erro, que ele hoje é o político mais desdenhado, mais repudiado, de todo o país. São-lhe imputadas graves acusações: corrupto, ladrão de dinheiro público, gangster, e assim vai.

Na Câmara, Cunha tem processo andando para cassação do seu mandato de deputado federal, por ter mentido, no ano passado, na CPI da Petrobras. Ele afirmou não possuir nenhuma conta bancária no exterior, prontamente desmentido pelas autoridades da Suíça.

No Supremo Tribunal Federal, Cunha responde a três processos, sendo que num deles já foi declarado réu. Todos eles são de acusações da Procuradoria-Geral da República por seu envolvimento em vários casos de propinas ocorridos na Petrobras.

A todas as acusações Eduardo Cunha tem feito ouvido de mercador. Cara de paisagem. Mas, nos bastidores, como profundo conhecedor da Constituição e do Regimento Interno da Câmara, ele dá um verdadeiro baile nos 21 membros do Conselho de Ética. Realiza todos os tipos de manobras, algumas com a característica de chicana. Tem emperrado o andamento do seu processo, a ponto de ele estar no mesmo lugar em que começou, em março de 2015. Pelo andar da carruagem, já se calcula na Câmara que ele acabará recebendo tão somente uma pena de advertência, preservando seu mandato. Principalmente agora que tem maioria dos votos do Conselho de Ética (11 a 10).

A punição tão cobrada deverá acontecer no Supremo Tribunal Federal. É lá que os três processos que cunha responde poderão resultar, inclusive, na sua prisão. Mas isso vai demorar, talvez só no fim do ano. Repetir-se- a com ele a mesma decisão do Supremo, que puniu os 23 réus envolvidos no processo do mensalão do PT. Entre eles estavam os então famosos José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e Roberto Jefferson, todos levados para cadeia.

PÂNICO NA ESPLANADA

Um morto insepulto. Assim está sendo visto em Brasília o governo Dilma Rousseff. Em nove ministérios, seus titulares se demitiram, ocasionando uma paralização total nos seus serviços burocráticos. A mesma inércia ocorre nos outros 20 ministérios. Ninguém decide nada. A máquina pública federal está à deriva. O pânico tomou conta da Esplanada dos Ministérios. É que se a presidente Dilma for realmente afastada do governo, são vinte mil cargos de assessoria e de confiança, preenchidos por indicações políticas, principalmente por parte do PT. Certamente, serão demitidos. Em todo o país, nas inúmeras repartições públicas federais, o número de cargos de confiança chega a 102 mil.

A informação é que no caso de Michel Temer assumir o governo, a grande maioria desses cargos será extinta, por conta dos cortes nas despesas públicas, que estão sendo anunciadas.