Segundo Coletti, os petistas não o engolem, devido suas propostas para alcançar o ajuste fiscal e colocar as contas do governo em ordem (Foto: Divulgação)

Os cenários político, econômico e ético nacionais estão para lá de embaralhados. Predominam as incertezas, a insegurança, mas, aumentam as esperanças de que algo novo ocorra no Brasil, para recolocá-lo nos trilhos da tranquilidade, do crescimento e desenvolvimento.

O presidente interino Michel Temer procura emitir sinais de ações, no sentido de conquistar a confiança da sociedade brasileira, ainda ressabiada diante de tantas notícias negativas que surgem diariamente.

O super-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, está debruçado sobre a tarefa de dimensionar o tamanho do buraco em que está afundado o Brasil. No fundo do poço só tem encontrado areia movediça. Já se sabe que o rombo nas contas públicas ultrapassa R$ 150 bilhões, e não os 98 bilhões informados pela presidente afastada, Dilma Rousseff. Neste final de semana o ministro Meirelles deverá anunciar o plano de ajuste fiscal, com corte de despesas e as reformas que serão implementadas.

Todos os ministros encontraram em seus gabinetes o cenário de terra arrasada. Por orientação do PT, informações, projetos, planilhas foram deletados dos computadores.

Michel Temer escolheu a reforma da Previdência Social como o primeiro problema a ser enfrentado. Juntamente com o ministro Henrique Meireles, ele se reuniu com lideranças sindicais para tratar de soluções para esse problema, considerado, hoje, o mais grave do país. Decidido que dentro de 30 dias surjam saídas para ele. O novo governo colocou as cartas na mesa: quer idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e mulheres. Sugere a unificação do sistema público e privado, respeitados os direitos adquiridos. Quer também desvincular os benefícios do INSS do reajuste do salário mínimo.

APURAÇÃO DO GOVERNO PT

Os programas sociais, bem explorados eleitoralmente durante os 13 anos do governo do PT (8 de Lula e 5 de Dilma), passarão por uma profunda devassa. O novo ministro da área social, deputado Osmar Terra (PMDB- RS), citando o “Bolsa Família”, afirmou que o programa será reavaliado. A ideia é encontrar portas de saídas para que os seus beneficiados, bem como de outros programas assistenciais possam alcançar caminhos para que não precisem mais dos benefícios do governo.

Um pente fino vai também atingir as estatais (Eletrobrás, Petrobras, etc.) e os bancos do governo (Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica Federal).

Será feito ainda um inventário de todos os problemas que travam o bom funcionamento dos ministérios, ou seja, desvendar a herança negativa deixada pelo PT. Haverá uma revisão dos atos relativos às desapropriações e remarcações de terra em todo o pais.

As agências reguladoras passarão por mudanças, no sentido de tirar-lhes as influências políticas, que causaram péssimos resultados em seus funcionamentos.

Resumindo: será aberta a “caixa-preta” da gestão petista e a radiografia será levada ao conhecimento da sociedade brasileira.

O presidente interino Michel Temer está programando todas as ações com a convicção de que ficará à frente do governo até o dia 31 de dezembro de 2018. Ele está certo que o Senado, em setembro, decretará o afastamento definitivo de Dilma Rousseff da Presidência da República, tal o volume dos malfeitos praticados por ela e o PT.

Na primeira reunião do seu Ministério, Michel Temer determinou a extinção de 4 mil cargos de servidores comissionados e de confiança. Isso representa um corte de 23,4% nos 17.090 postos da Esplanada dos Ministérios, preenchidos por indicações do PT e de políticos próximos ao Palácio do Planalto.

20 DIAS PARA DILMA SE EXPLICAR

Como manda a Constituição, o ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal, assumiu o comando, no Senado Federal, da etapa final do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ela já foi cientificada que tem o prazo de vinte dias para apresentar, por escrito, sua defesa formal. A comissão especial de 21 senadores, que funcionou na primeira fase do processo, culminando com o afastamento provisório da presidente por 180 dias, realizará os procedimentos legais:  coletar provas, realizar diligências, convocar testemunhas, etc. No final, a comissão especial redigirá parecer quanto ao mérito, ou seja, se houve ou não cometimento de crime de responsabilidade. Então, a aprovação será pela maioria simples, ou seja 11 dos 21 votos da comissão. Esse parecer conclusivo, chamado de “SENTENÇA DE PRONÚNCIA” será votada pelo plenário do Senado. Sua aprovação será também por maioria simples ou seja 41 dos 81 senadores. Na fase final do processo será lido o chamado “LIBELO ACUSATÓRIO”, uma espécie de resumo de todo o processo. Caberá, então, ao ministro Lewandowski marcar a data do julgamento definitivo. O impeachment precisa ser aprovado por 54 votos, ou seja, dois terços dos 81 senadores. Se absolvida, Dilma retorna imediatamente ao cargo de presidente. Se condenada pelo crime de responsabilidade, ela perde definitivamente o cargo e ficará inelegível pelo prazo de oito anos. Nesse caso, Michel Temer continuará no comando do Brasil até 31 de dezembro de 2018.

Ainda que exonerado do cargo de advogado geral da União, José Eduardo Cardozo, continuará à frente da defesa de Dilma.

Mesmo afastada da Presidência, Dilma continuará morando no Palácio do Alvorada. Também continuará recebendo integralmente o salário de presidente (R$ 30.940,70) e terá à disposição segurança pessoal, assistência médica, deslocamento aéreo e terrestre e uma equipe de 12 auxiliares.

Na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha afastado da presidência da Casa por decisão do STF, manterá as mesmas prerrogativas de Dilma, por estar em situação análoga à dela.

Para não interromper o processo e julgamento do impeachment, o Senado Federal decidiu suspender o recesso de julho.