(Foto: Divulgação)

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Por sabotar as investigações da Operação Lava-Jato sobre as roubalheiras na Petrobras, o senador Delcidio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado Federal, foi preso pela Policia Federal, na manhã de quarta-feira, aqui em Brasília, a mando do Supremo Tribunal Federal.

Na noite do mesmo dia, os senadores derrotaram o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), transformaram votação secreta em aberta, e por 59 votos a 13, referendaram a decisão do Supremo de manter preso Delcídio do Amaral. Ele foi colocado numa cela do presidio da Papuda. Agora vai responder no Conselho de Ética processo de cassação do seu mandato de senador. Delcidio é o primeiro senador, na história da República, a ser preso no exercício do mandato.

O senador do Mato Grosso do Sul foi flagrado armando um esquema para sabotar as investigações da Policia Federal e do Ministério Público. Conversa dele gravada pelo filho do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, num hotel aqui em Brasília, mostra o senador tentando impedir a delação premiada de Nestor Cerveró. Ofereceu R$ 50 mil mensais pelo silêncio de Cerveró, além de garantir-lhe um plano de fuga do Brasil para a Espanha, via Paraguai. Prometeu também influir em julgamento de pedido de habeas corpus para tirá-lo da prisão em que se encontra em Curitiba. Disse ter muitos amigos com influência junto ao Supremo.

Os ministros reagiram com indignação. Os cinco integrantes da 2° Turma do Supremo, onde tramitam os processos da Lava- Jato, decidiram, por unanimidade, pela prisão do senador Delcidio. Todas as denúncias foram preparadas pela Procuradoria Geral da República.

OUTRAS PRISÕES

Além do senador Delcídio, também foram presos pela PF o banqueiro André Esteves, do Banco BTG Pactual, e o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira. Há também mandado de prisão do advogado Édson Ribeiro, que defendeu Cerveró. Como ele está nos Estados Unidos, a PF pediu ao STF a inclusão do nome dele no alerta vermelho da Interpol.

O ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava-Jato, apresentou a seus pares, na 2° Turma, o relatório elaborado pela Procuradoria Geral da República, que serviu de base aos pedidos de prisão.

Segundo, Zavaski, o relatório da PGR afirma que os valores prometidos a Cerveró seriam repassados à família do ex-diretor da Petrobras por meio de um contrato fictício entre o advogado Edson Ribeiro e o BTG Pactual, do banqueiro André Esteves. A PGR teve acesso às gravações realizadas por Bernardo Cerveró, filho de Nestor Cerveró, de duas reuniões – realizadas nos dias 4 a 19 de novembro – com a participação de Delcídio do Amaral e André Esteves.

“O presente caso apresenta linha de muito maior gravidade. O parlamentar não está praticando crimes qualquer, está atentando contra a própria jurisdição do Supremo Tribunal Federal”, disse Zavascki.

Em diversos trechos, o relatório da PGR aponta tentativas de Delcídio em “embaraçar as investigações”. Fala em “atuação concreta e intensa” do senador e do banqueiro para evitar a delação premiada de Nestor Cerveró, “conduta obstrutiva de interferência política em investigações judiciais”.

LULA NA BERLINDA

Na terça-feira, Brasília havia sido sacudida pela notícia da prisão, pela Policia Federal, do pecuarista José Carlo Bunlai, bem próximo do ex-presidente Lula.

Ele está sendo investigado por empréstimo não pago de R$ 500 milhões no BNDES. Contra ele pesa acusação de ter recebido propina de construtores, direcionando o dinheiro para uma nora de Lula. E está envolvido em esquema bilionário de corrupção na Petrobras. No PT, o temor é que o pecuarista opte pelo programa de delação premiada e faça revelações que podem comprometer o ex-presidente Lula. “É a operação Lava-Jato chegando próximo de Lula” – afirmaram investigadores da Policia Federal.

LADEIRA ABAIXO

O deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, está rolando ladeira abaixo, em ritmo bem acelerado. Acuado por denúncias de contas ilegais no exterior, que teriam sido abastecidas com dinheiro roubado na Petrobras, dia após dia, ele perde prestigio entre seus pares. Está a caminho de ficar isolado. A oposição (PSDB, DEM e PPS), que no início o sustentava, quer agora colocá-lo fora do comando da Câmara. Esse seu afastamento, e mesmo a cassação do seu mandato, é questão de tempo. Isso certamente não acontecerá neste ano, já que faltam apenas três semanas para o início do recesso parlamentar (18 de dezembro). Manobras regimentais o ajudarão a levar seu julgamento no Conselho de Ética para fevereiro do próximo ano. Essas manobras estão contando com o apoio do PMDB e PT. Em troca, Eduardo Cunha segura o andamento do pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Reale Junior, para frustração da oposição.

A partir de fevereiro, com o reinicio das atividades do Congresso Nacional, a vida de Cunha vai entrar numa fase terrível para ele. Chegará o momento em que o Conselho de Ética vai decidir sobre a cassação do seu mandato. Terá esse enfrentamento com o seu prestigio em baixa junto aos deputados. E o pior é que o Supremo Tribunal Federal iniciará, talvez já em fevereiro, o julgamento dos dois processos em que Cunha está envolvido por desvios praticados na Petrobras. Seu julgamento será feito no plenário do Supremo, com a participação dos 11 ministros. Pelas comprovações apresentadas pela Procuradoria Geral da República, dificilmente Cunha deixará de ser punido duramente, inclusive com a decretação da sua pressão. Essa é a expectativa dos meios políticos aqui em Brasília.