BEIRANDO O ABISMO

20150311120655915861eA presidente Dilma Rousseff está à beira do abismo. Seu inferno político vem crescendo a partir das vozes das ruas, por todo país, clamarem por “Fora Dilma”, “Fora PT”.

Na opinião de nove entre 10 aliados da presidente no Congresso Nacional, o seu barco está naufragando.

O auge da crise ocorreu na tarde de quarta-feira. O folclórico e polêmico ministro Cid Gomes, da Educação, foi à Câmara dos Deputados para se retratar de acusações, a mando da presidente. Mas ele fez o oposto. Reafirmou que na base do governo no Congresso Nacional de 300 a 400 são achacadores. E desafiou: “Partidos de situação têm o dever de ser situação. Ou, então, larguem o osso, saiam do governo”.

O plenário da Câmara se transformou numa grande confusão, com trocas de xingamentos e acusações. A tensão foi às alturas no momento em que o ministro Cid Gomes, com dedo em riste apontado para o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disparou: é melhor ser chamado de mal-educado do que ser achacador, como o senhor, presidente.

O PMDB entrou em cena e colocou a presidente Dilma na parede: ou ela demitia o ministro da Educação ou o partido retiraria seu apoio ao governo.

Menos de uma hora depois, o Palácio do Planalto anunciou a demissão de Cid Gomes.

Ai foi o PT que entrou em cena: pediu a transferência do desgastado Aloísio Mercadante da chefia da Casa Civil para o Ministério da Educação. “Não aguentamos mais a arrogância de Mercadante”- disseram lideres petistas.

A saída do ministro da Educação será o inicio de uma ampla reforma do Ministério, que foi empossado em 1° de janeiro. É para tentar a rearticulação da base de apoio ao governo na Câmara e no Senado.

MAIS PRESSÕES

A oposição- PSDB, DEM e PPS- protocolou no Supremo Tribunal Federal pedido de abertura de investigação contra a presidente Dilma. É para se saber se recursos milionários desviados da Petrobras não foram usados na campanha de reeleição da presidente, no ano passado. O ministro relator do “processo do petrolão”, Teori Zavascki, enviou a cobrança da oposição ao procurador-geral da Republica, Rodrigo Janot, para emitir seu parecer. Só depois o ministro decidirá o que fazer.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, reuniu-se com um grupo de parlamentares petistas, para pedir uma mobilização de rua para reverter a atual crise por que passa a presidente Dilma e o próprio partido.

Mas não teve êxito. “Sair ás ruas neste momento, é um risco de sermos expulsos das ruas”- advertiram alguns petistas.

O Tribunal de Contas da União decidiu apurar atos praticados pelo Conselho Administrativo da Petrobras. É para investigar a responsabilidade desses dirigentes em prejuízos à estatal, como na aquisição de refinarias no período em que Dilma chefiava o colegiado.

Para baixar mais ainda o astral da presidente, vieram os resultados das pesquisas do Datafolha. Para 62% dos entrevistados, a gestão da presidente é ruim ou péssimo. A aprovação da presidente caiu para 13%, quase 10 pontos nas ultimas semanas. É um índice menor do que o de Fernando Collor quando foi posto para fora da Presidência.

E mais: para 69% dos entrevistados, o desemprego vai crescer. Inflação, para 77%, também crescerá. É o pessimismo contaminando a população.

    

 VOZES DAS RUAS ASSUSTARAM

As vozes das ruas emocionaram o país no último domingo. Também provocaram um pacto devastador no cenário político nacional.

A presidente Dilma Rousseff, que foi o alvo principal dos protestos, juntamente com o PT, deixou de lado sua conhecida arrogância para anunciar, com humildade, que está aberta ao diálogo para encontrar caminhos para tirar o Brasil da crise em que está mergulhado. Chegou, inclusive, admitir que cometeu erros no seu primeiro governo. Reconhecimento que vinha negando. Prometeu também atender a reivindicação das vozes das ruas: enviar, ao Congresso Nacional, propostas para combater a corrupção,o que aconteceu.

Tudo indica que a presidente Dilma está perdida num labirinto que ela mesma montou. Pressionada, ela procura uma saída. Recorreu até a conselhos do ex-presidente Sarney. O ex-presidente Lula foi chamado para ajudar a jogar água fria na crise que se agravou.. O ministro Joaquim Levy, em encontro, com empresários paulistas, reiterou que o Brasil só retomará o crescimento se forem aprovadas pelo Congresso as medidas que propôs para melhorar as contas públicas. Mas essas medidas estão sendo alvo de críticas até mesmo do PT, e das centrais sindicais, principalmente a CUT, ligada aos petistas.

DOR DE CABEÇA É O PT

Um dia após o “Fora Dilma”, “Fora o PT”, o Palácio do Planalto recebeu a noticia da prisão de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, pela Policia Federal. As investigações da Operação Lava-Jato descobriram que ele escondeu 20,5 milhões de euros (R$ 70 milhões) numa conta secreta em Mônaco. Descobriram também que Renato Duque estava retirando dinheiro de suas contas na Suíça, transferindo-o para os Estados Unidos e paraísos fiscais.

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção. Ambos são acusados como responsáveis pelo recebimento dos recursos milionários da Petrobras desviados para os cofres do PT. Há temor no PT de que Renato Duque acabe fazendo um acordo de delação premiada, por pressão de familiares.

Mais: foi aberto inquérito pelo Ministério Público Federal para apurar se recursos de R$ 10 milhões pagos ao escritório  de José Dirceu por construtoras envolvidas nos escândalos da Petrobras têm origem no esquema de corrupção da estatal. Revelou-se que entre 2006 e 2013, R$ 29,9 milhões, oriundos de empresas envolvidas na Operação Lava- Jato, foram repassados para José Dirceu, que foi condenado à prisão por chefiar a quadrilha de mensalão do PT.