Foto: Roberto Stuckert Filho/PR / Fotos Públicas

(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR / Fotos Públicas)

O Brasil foi “incendiado” no início da noite de quarta-feira (16), por conta da nomeação do ex-presidente Lula para a chefia da Casa Civil da Presidência da República e da revelação de conversas telefônicas comprometedoras entre Lula, Dilma e o ministro Jacques Wagner. Aconteceram panelaços, buzinaços e manifestações de rua em pelo menos 15 capitais. Em Brasilia, cerca de 5 mil pessoas se concentraram defronte o Palácio do Planalto. Todos esses atos para pedir o afastamento de Dilma do comando do país e a prisão imediata de Lula. No Congresso Nacional, parlamentares cobraram a renúncia de Dilma.

A explosão popular aconteceu por causa da nomeação de Lula para comandar a Casa Civil no lugar do ministro Jacques Wagner, que foi rebaixado para chefe de gabinete de Lula. Esse ato foi interpretado como uma estratégia para tirar Lula da mira do juiz federal Sergio Moro, que, a qualquer momento, poderia pedir sua prisão.  Isso pela comprovação do envolvimento do ex-presidente nas roubalheiras milionárias ocorridas na Petrobras. Essa manobra ficou evidenciada nas conversas telefônicas gravadas pela Policia Federal, entre Lula, Dilma e Jacques Wagner, que foram tornadas públicas por autorização do Juiz Moro. Com a divulgação de todos esses fatos, veio a reação popular ocorrida na noite de quarta-feira.

A decisão de Lula de torna-se ministro é vista nos meios políticos como uma espécie de confirmação de que ele realmente está envolvido nas maracutaias ocorridas na maior estatal do país. Na visão dos políticos, o Brasil passará a ter dois governantes. Um é o Lula, que vai realmente mandar, e, o outro, Dilma que vai fingir que governa. Ela passará a ser como a rainha da Inglaterra, já que os ministros de Estado baterão continência ao super ministro Lula.

Criou-se uma situação inédita. Nunca antes um ex-presidente da República foi nomeado ministro de Estado.

NÃO SALVA NINGUÉM

Nesta semana, ganhou proporções alarmantes a crise política que paralisa o país, há algum tempo. Depois das manifestações de rua de domingo, quando milhões de pessoas indignadas e insatisfeitas clamaram contra a corrupção, contra a imoralidade e pelo afastamento da presidente Dilma do Palácio do Planalto, vieram, na terça-feira, as bombásticas revelações do senador petista Delcídio do Amaral (MS), por meio de delação premiada.

Ele relacionou como envolvidos nas roubalheiras na Petrobras e em outros setores, a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula, o vice-presidente Michel Temer, os presidentes da Câmara (Eduardo Cunha) e do Senado (Renan Calheiros), deputados, senadores, ministros, ex-ministros, lobistas e ex-diretores da Petrobras. Sobrou até para o tucano Aécio Neves, acusado de receber propina do esquema de corrupção em Furnas.

Delcídio acusou o ministro da Educação, Aloízio Mercadante, de tentar comprar seu silêncio, a mando de Dilma e de Lula.

As delações do senador do PT foram homologadas pelo Supremo Tribunal Federal. Caberá agora à Procuradoria-Geral da República, juntamente com a Policia Federal, comprovar até que ponto são verdadeiras as denúncias de Delcídio. Depois propor ao Supremo ou ao Juiz Sergio Moro a abertura dos processos criminais.

VOZES DAS RUAS PRESSIONAM

As manifestações nas ruas brasileiras ocorridas domingo passado (13) – consideradas as maiores da história do Brasil – ratificaram a convicção do Congresso Nacional e no meio empresarial brasileiro: a presidente Dilma Rousseff não reúne as mínimas condições para continuar à frente da Presidência da República. Sua substituição se impõe, imediatamente.

A segunda certeza endossada pelas vozes das ruas é que os procuradores e agentes federais da Operação Lava-Jato têm em seu poder todas as comprovações que o ex-presidente Lula e o PT se beneficiaram das roubalheiras milionárias na Petrobras.

O juiz federal Sergio Moro, coordenador da Lava- Jato, foi o nome mais festejado no decorrer das manifestações de domingo. Ele foi conclamado a colocar os petistas e o ex-presidente Lula na cadeia e determinar que seja devolvido nosso dinheiro. Basta!

         O juiz Sergio Moro só estaria aguardando um momento certo para anunciar sua decisão contra Lula e seus companheiros. O juiz sabe que sua decisão provocaria uma comoção nacional, de consequências imprevisíveis. O PT e o lulismo dispõem de força para promoverem agitações pelo país a fora. Ele também tem ciência que na outra ponta da corda está a maioria da sociedade, que confia nele.

SOLUÇÕES PARA CRISE

Nos bastidores há uma grande movimentação dos principais atores da política nacional, em busca de saídas para o atendimento dos anseios das ruas.

Existem várias soluções, mas todas de difícil execução. A primeira delas, com menos estragos, seria a renúncia da presidente Dilma. Esta possibilidade foi afastada pela própria presidente. No Tribunal Superior Eleitoral correm quatro processos, propostos pelo PSDB, visando a anulação do pleito de 2014, no qual foram eleitos Dilma e Temer. A acusação é de que a campanha de ambos foi financiada com recursos desviados da Petrobras. A previsão é que esse julgamento terminaria só no fim do ano.

Uma outra alternativa seria a transformação do sistema de governo de presidencialista em parlamentarista, que ganha força entre os senadores.

O Supremo Tribunal Federal, na quarta-feira, manteve sua decisão do fim do ano passado, em relação a tramitação do processo de impeachment Congresso Nacional.

O presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, na quinta-feira, instalou a comissão especial que vai dar parecer sobre o pedido de impeachment da presidente Dilma.

Cunha anunciou que até maio a Câmara deverá aprovar o afastamento de Dilma, cabendo ao Senado o desfecho do processo.