DE BRASÍLIA CLAUDIO COLETTI
PACTO PMDB–PT NA CORDA BAMBA
Com a torcida da presidente Dilma Rousseff, as cúpulas do PMDB e PT procuram manter a todo custo pacto de não agressão a nível nacional para evitar um estremecimento maior no já relacionamento tênue mantido pelas duas legendas. Isso para não criar problemas para a governabilidade da presidente e ao mesmo tempo tentar manter para a sucessão presidencial de 2014 a mesma parceria vitoriosa de 2010.
Contudo, está difícil de se levar adiante esta estratégia. Cresce a cada dia o desgaste nas relações entre PMDB, governo e o PT. O estilo de governar imposto por Dilma não agrada aos peemedebistas bem como aos demais partidos aliados. Sua decisão é substituir todos os apadrinhados políticos que se envolvem em malfeitos por pessoas que tenham perfil técnico competente e com ficha limpa. Para Dilma, a máquina pública tem de deixar de ser capitania hereditária, política que bate de frente com o que advogam os caciques dos partidos aliados, com destaque para José Sarney, senadores Renan Calheiros e Jader Barbalho, e o líder peemedebista Henrique Eduardo Alves.
Daí tem resultado vários atritos na área governista. Lideres aliados têm feito insinuações de que a presidente tem adotado pesos e medidas diferenciados no trato dispensado a eles. Falam da existência de um plano para fortalecer a hegemonia do PT com vista a seu crescimento nacional. Apresentam exemplos: criação de uma nova diretoria na Petrobrás, para empregar o ex-presidente do PT e da Petrobrás, o sergipano José Eduardo Dutra; mudanças nos cargos de 2º escalão do Banco do Brasil, com nomeação de apenas petistas; substituição dos delegados regionais da Funasa, todos indicados pelo PMDB, por nomes sugeridos pelo PT, e ainda mudanças nos postos chaves da Petrobrás, com os substitutos sendo petistas.
A presidente torce também para o desfecho não ser traumático ao PT o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, que deverá ocorrer no fim deste semestre. Ela sabe que se acontecerem punições severas aos políticos envolvidos, todos eles ligados a cúpula do PT e ao ex-presidente Lula, certamente provocará repercussão na campanha eleitoral municipal que começa em agosto. Haverá, inclusive, respingos na sucessão presidencial de 2014, já que o fato será explorado pela oposição.
DISPUTA ENTRE PMDB – PT NOS ESTADOS
Apesar da troca aparente de afagos entre os caciques nacionais do PMDB e PT, a realidade é bem diferente pelo país afora, nas cidades onde vão ser travadas as disputas eleitorais. A regra que predomina é a de Murici: cada um por si. Peemedebistas e petistas vivem às caneladas, continuam sendo os mesmos adversários históricos ferrenhos de embates no passado.
O PMDB não abre mão de tentar vencer as eleições no maior número de municípios, para conservar sua condição atual de maior partido do Brasil. Hoje, são 1.213 prefeituras nas mãos de peemedebistas em todo o país, o dobro das comandadas pelo PT.
O PMDB quer continuar dando as cartas nos municípios e no Congresso Nacional para não perder seu poder de influência em qualquer cenário político que vier a se desenhar no Brasil futuro.
O PT, por seu lado, também tem projeto de expansão nacional. Sua estratégia é superar ou pelo menos ombrear-se política e eleitoralmente ao PMDB. Lideres mais radicais do PT chegam até pensar com um PMDB menor, para se repetir o que o PSDB fez durante o governo FHC com antigo e poderoso PFL, hoje reduzido ao pequeno DEM.
As relações entre as duas legendas são tensas na maioria das cidades brasileiras. O PMDB confirmou até agora candidatos próprios em 22 capitais. O PT, em 20.
OPOSIÇÃO DESNORTEADA
A oposição – PSDB, DEM e PPS - assiste de camarote os desfechos das escaramuças que existem no lado governista. Até agora ela está sem rumo. O PSDB ensaia uma estratégia que visa dar um caráter nacional as eleições de outubro, sem deixar de lado as peculariedades de cada município. A estratégia tem três diretrizes. A prioridade é a candidatura própria. Se não for possível, aliança com os partidos de oposição – DEM e PPS – e com eventuais aliados que não têm tanto compromisso assim com o governo federal. Em último caso, aliança com os candidatos que tenham o PT como principal adversário.
A oposição têm ainda de encontrar caminhos para enfrentar uma serie de dificuldades. A primeira delas está no fato da presidente Dilma ter entrado no segundo ano do seu mandato com um índice de popularidade nas alturas, maior que os ex-presidente FHC e Lula conseguiram no mesmo período.
Tem também de melhorar sua performance neste ano, já que teve atuação pífia em 2011. Ela foi emparedada no Congresso Nacional pela base do governo.
Aécio Neves, que desponta como o provável candidato tucano na próxima disputa presidencial, tem declarado que vai liderar a oposição ao governo do PT na batalha municipal de outubro. Mas antes ele vai ter de convencer o DEM e o PPS que reúne condições para pleitear essa liderança. O ex-governador de Minas Gerais terá de desmontar a ideia que toma conta das duas legendas de que o melhor caminho para sua sobrevivência é deixar de ser escada para o tucanato.
CRISE À VISTA
O Congresso Nacional retomou suas atividades na quinta-feira, com sessão solene, durante a qual a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, entregou mensagem da presidente Dilma Rousseff. Nela está inserido um recado que nenhum parlamentar gostaria de ouvir, muito menos em ano eleitoral: o governo vai promover neste 2012 a austeridade fiscal. Não cederá à pressões de nenhum setor para incremento do gasto público. Assim, os servidores públicos federais vão ficar sem reajuste salarial este ano.
A Associação dos Juízes Federais do Brasil decidiu peitar a presidente Dilma e entrou com ação no Supremo Tribunal Federal exigindo que o Congresso Nacional garanta um reajuste de 4,8% na remuneração dos ministros do STF. A mudança alteraria o teto do funcionalismo de R$ 26.7 mil para R$ 28 mil e elevaria, automaticamente os salários dos juízes e dos ministros dos demais tribunais superiores.
Aí está o inicio da guerra que todas as categorias do funcionalismo vão deflagrar por melhores vencimentos.