Rádio 101FM Jaboticabal-SP______________________________________________
 
Fotos de Baladas
Artistas na Rádio
Artistas em Foco
Rádio ao Vivo
Cadastro
Peça sua Música
Contato
 
 

DE BRASILIA                                                                                      CLAUDIO COLETTI                                                        Data: 08/10/2008

 

  

ELEIÇÃO ENTERROU MITOS E DITOU RUMOS

 

            O mapa político nacional saiu das urnas domingo passado marcado pelo continuísmo, com um grande número de prefeitos reeleitos em todo o País. Essa situação prevaleceu principalmente nas capitais. Dos 20 candidatos à reeleição, 13 venceram no primeiro turno. A grande maioria dos prefeitos de pequenas cidades teve o mandato renovado, o que evidencia o quanto vale o poder de pressão dos que estão no governo.

            Das urnas emergiu também uma nova correlação de forças com a derrota de tradicionais caciques e grupos políticos e o surgimento de novas lideranças regionais, com vitórias e derrotas surpreendentes. Foi desenhado um novo quadro para disputa presidencial em 2010.

            O PMDB confirmou sua condição de partido de maior expressão nacional. Aumentou o número de prefeitos e vereadores em todo o país. Dono das maiores bancadas da Câmara e do Senado, o partido saltou de 13.752.794 votos(em 2004) para 17.871.870 na eleição de domingo. Em cinco das maiores capitais do Brasil, seus candidatos vão disputar o segundo turno: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e São Paulo, com o candidato a vice de Gilberto Kassab (DEM), que ganhou o primeiro turno.

            O PT, por sua vez, não conseguiu tornar numa realidade a anunciada “onda vermelha”, que seria alavancada pelos excepcionais índices de aprovação do presidente Lula. A meta era suplantar o PMDB. O desempenho dos petistas, porém, ficou aquém do prometido pelos seus cardeais. O partido recebeu 16.104.464 votos, cerca de 50 mil a menos do que em 2004. A situação mais emblemática está em São Paulo, onde Marta Suplicy, de forma surpreendente, desceu da liderança nas pesquisas para o segundo lugar, perdendo para Gilberto Kassab.

            Vai acontecer na capital paulistana, no segundo turno, a preliminar do que se anuncia para a disputa pelo Palácio do Planalto em 2010. Vão estar em campos opostos o PT do presidente Lula e a aliança DEM-PSDB, comandada pelo governador José Serra, um forte candidato para a sucessão presidencial.

            Em Belo Horizonte foi registrada talvez a maior surpresa da eleição municipal: Márcio Lacerda,  grande aposta do governador Aécio Neves que, apontado para ganhar no 1º turno, venceu o concorrente Leonardo Quintão (PMDB) por uma diferença insignificante. Esse resultado representa uma dura derrota para Aécio, que certamente terá repercussão negativa na sua caminhada em busca de se viabilizar como candidato ao Palácio do Planalto.

 

OUTRAS SITUAÇÕES

 

            PSDB e DEM também perderam terreno na eleição municipal. Os tucanos elegeram 780 prefeitos, número inferior ao obtido em 2004, quando ganhou 861 prefeituras. O DEM, por sua vez, elegeu 494 prefeitos contra 794 nas eleições de 2004. O PPS caiu de 305 para 132 prefeituras.

            O presidente Lula também sofreu algumas derrotas que deixaram marca. Sua imensa popularidade não se traduziu em votos favoráveis  à  Marta Suplicy, em São Paulo, e Luiz Marinho, em São Bernardo do Campo. Eles não se beneficiaram de tal popularidade, muito embora Lula tenha participado de carreatas em favor de ambos. Em Natal, o presidente fez uma carreata contra a candidata do PV, só porque ela era apoiada pelo líder da oposição no Senado, senador José Agripino Maia (DEM). A jornalista Micarla de Sousa venceu sua adversária, Fátima Bezerra, candidata do PT,  ainda no primeiro turno.

            Lula gravou mensagens personalizadas para 94 candidatos. Desses, 45 perderam a disputa, apesar de usarem o apoio do presidente na TV . Mas 40 governistas venceram, e outros 9 estão no segundo turno.

            O cruzamento dos dado da Bolsa Família com o balanço das eleições municipais derruba a tese de que o programa traria resultados eleitorais imediatos. Nos cem municípios que apresentam o maior percentual de bolsas, o PT teve dificuldades até mesmo para lançar candidatos. Foram apenas 16, com só 4 sendo eleitos. O campeão de votos nesses redutos foi o PMDB, com 40 candidatos e 23 prefeitos eleitos. O PT  ficou atrás de um partido médio, o PTB, que contou com 35 candidatos e obteve 20 vitórias. Mesmo o PSDB, que faz oposição à Lula, teve melhor desempenho que o PT, com 25 candidatos e 13 vitórias. 

            A maioria dos parlamentares que tentou a sorte na eleição de domingo acabou sendo derrotada. Três senadores estão entre eles: Marcelo Crivella derrotado no Rio de Janeiro; Patrícia Sabóia, em Fortaleza, e Almeida Lima, em Aracaju.

            Dos 93 deputados candidatos, apenas 13 foram eleitos no primeiro turno e 14 disputarão o segundo turno. Destaque para Walter Pinheiro (PT) em Salvador, Maria do Rosário (PT) em Porto Alegre, Flávio Dino (PcdoB) em São Luís, e Luís Carlos Hauly (PSDB) em Londrina.

            O maior símbolo da derrota é ACM Neto (DEM), que, depois de liderar as pesquisas por meses seguidos, ficou em terceiro lugar na disputa em Salvador. Outro derrotado foi o deputado petista Gonzaga Patriota que pleiteou a Prefeitura de Petrolina (PE). Também se deram mal na eleição para vereador em São Paulo os ex-deputados Prof. Luizinho (PT) e Robson Tuma (PTB). Tiveram uma votação pífia.

            Já a ex-senadora Heloísa Helena, que foi candidata à presidência em 2006, teve uma grande votação para vereadora em Maceió, representando o PSOL, que ela preside nacionalmente.

            Severino Cavalcante conseguiu se eleger prefeito de João Alfredo, município de Pernambuco. Há dois anos ele não conseguiu votos suficientes para retornar à Câmara dos Deputados, da qual saíra mediante renúncia do mandato para evitar sua cassação por envolvimento em maracutaias

 

CRISE FINANCEIRA MUNDIAL

 

            Depois de prolongado recesso eleitoral, deputados e senadores retornaram ao trabalho. Os efeitos da crise financeira que se espalha pelo mundo dominaram os debates nos plenários da Câmara e do Senado. No centro das discussões, a MP 442/08 editada pelo presidente Lula, para facilitar o socorro pelo Banco Central a bancos de pequeno porte e crédito a exportadores, além de autorizar empresas que operam com leasing a emitir letras de arrendamento mercantil com lastro em suas operações de crédito. Na mira dos discursos também a reforma tributária e a criação do Fundo Soberano, ambas matérias prestes a serem votadas na Câmara, mas com dificuldades para conseguirem consenso. Existe uma forte corrente que advoga a transferência para o próximo ano da votação de tais propostas, por conta da crise mundial.

            Na Câmara existe também um impedimento, de difícil superação, que é o bloqueio da pauta de plenário por medidas provisórias.

            Outra dificuldade vai ser reunir em Brasília um grande número de parlamentares, já que a sua grande maioria vai estar envolvida nas eleições do segundo turno que serão travadas em 29 municípios, os mais populosos e importantes do país. Esta votação acontecerá no próximo dia 26, último domingo deste mês.